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quinta-feira, 26 de julho de 2007

Cinema e Quadrinhos- Parte I de II: Adaptação

Zach Snyder diretor de 300 comandando a produção

Nos últimos anos acompanhamos uma verdadeira invasão dos personagens criados em gibis invadirem as telonas. Para os fãs têm sido um momento ótimo para se acompanhar e poder ver seus heróis de celulose virar heróis de película. As adaptações de quadrinhos não são de agora. Há muito tempo que Hollywood vem colocando os heróis no escurinho do cinema. No entanto, nem sempre teve uma boa receptividade ou respeito merecido. É verdade que os estúdios sempre vinham riscos em se produzir algo que apenas as crianças iam querer ver, deixando uma certa parcela do público de fora (o que na verdade era apenas falta de informação por parte deles). E pior: como super-heróis são personagens "extravagantes", correriam o risco de perderem grana em cima de uma produção dessas que obviamente, se quisesse chegar perto da fonte, teria que torrar um bom dinheiro em efeitos especiais e o escambau.

Cris Nolan, diretor de Batman Begins

Para muitos ainda falta um bocado de chão pra que haja de fato uma ótima adaptação de uma HQ. E os motivos são diversos. Os fãs obviamente são muito exigentes e os estúdios querem o lucro fácil. No entanto, eles querem abocanhar dois nichos: os que conhecem a HQ e os que não são familiarizados. Para tanto, é necessário tomar certas liberdades criativas. Por isso que os filmes são chamados de adaptações e não transposições. Não é possível ser 100% fiel às HQs de origem. Tem muita coisa em jogo no meio. Os criadores, os estúdios, os produtores, os fãs, diretores, escritores, enfim... envolve muitas pessoas de diversas áreas e visões. Mas de um tempo pra cá, os envolvidos vêm se manifestando a favor da adaptação o mais fiel possível. Há filmes que levam praticamente para as telas páginas das HQs em sua totalidade. Casos de Sin City (de Robert Rodriguez com o criador da HQ Frank Miller) e 300, também uma criação de Frank Miller com direção de Zach Snyder (Madrugada dos Mortos) que praticamente colocaram as páginas das fontes na telona. Mas cada caso é um caso. O que pode funcionar pra um pode num funcionar para outro.



Bryan Singer no set de filmagem de Superman-O Retorno

Em X-Men me lembro dos dentes cerrados dos fãs quando souberam que os uniformes dos mutantes seriam diferentes das malhas coloridas dos gibis. São pequenas mudanças como essas que provocam a ira de certos fãs xiitas, porém, necessárias para que se tenha um pingo de coerência. Como eu disse, cada caso é um caso. Muito se falou também de o Homem Aranha (de Sam Raimi) ejetar teias dos punhos e não de um carregador. Alguns produtores hoje tentam acertar mais no gostão do povão. Motoqueiro Fantasma de Mark Steven Johnson (Demolidor, 2003) com Nicolas Cage e também Quarteto Fantástico do sem sal do Tim Story (Taxi, 2005) tão aí pra mostrar isso. O que acarreta fracassos indubitavelmente de crítica mas nem sempre de púplico. Mas há diretores sérios trabalhando que é o caso de Brian Singer (X-Men-2000), Raimi, Ang Lee (do subestimado Hulk- 2003), Cris Nolan (Batman Begins- 2005)...

Sam Raimi passando texto de Aranha 3

O mundo das adaptações corre sempre no limiar do sucesso e do fracasso. O fã obviamente vai ao cinema esperando seu herói tal qual lembra dos gibis. O que é normal. Mas ele tem que saber também que no show business resultado tem que está ligado diretamente a lucros. Os estúdios avaliam bem antes de torrarem sua grana numa produção. É bem verdade que as adaptações de HQs estão bem em alta, e que tem muito estúdio correndo atrás de alguma coisa, mas não ao ponto de terem seu nome ligado a porcarias. O que ando vendo bastante, são os estúdios comprando direitos de adaptação de HQs pouco conhecidas do grande público, vindo de editoras pequenas com histórias adversas. Logo poderemos ver várias dessas HQs se transformarem em filmes, porém, muitos não farão a ligação com a fonte da onde foi tirado porque simplesmente nunca ouviram falar do personagem, coisa que creio deva ter acontecido com A Liga Extraordinária (de Alan Moore) com direção de Stephen Norrington, conhecido apenas pelos fãs do gibi lançado pela ABC Comics (aqui no Brasil pela Devir Editora) ou Constantine saído das páginas do Hellblazer da DC Comics (dona do Superman), que sai pelo selo adulto da casa chamado Vertigo, mas que por não ser grande conhecido do público, nem todos sabiam que a fonte era uma história em Quadrinhos. O que sabemos é que várias adaptações ainda vão surgir e muitas serão fracassos e algumas farão a alegria dos fãs. Ainda teremos nos próximos anos Cavaleiro das Trevas (Batman), Homem de Ferro, Superman- Homem de Aço, o novo filme do Hulk...enfim. Pra quem adora ver seus personagens pipocando na telona, o tempo é muito bom. É só torcermos para que as adaptações sejam pelo menos respeitosas!

Ang Lee numa posição não muito legal conversando com os atores de Hulk!


Na parte II- Os filmes que foram um sucesso e os fracassados.

1 comentários:

Daniel Siqueira disse...

O grande problema dessas adaptações, ao meu ver, é que após assistir a um filme massa nas telonas, o pessoal fica com vontade de comprar as HQs, mas quando vai conferir... elas não têm nada a ver com o filme e aí o povo acaba não comprando mais.