Para quem vendemos?A divulgação do teu produto é meio caminho andado para o "sucesso". Acho que qualquer pessoa sabe disso. Seja em qual for a mídia e teu público alvo, sendo bem-feita, ela poderá trazer bons frutos. Com HQs não é diferente de qualquer outra coisa. Mas aí entra o produto em si e seu conteúdo. Claro que apenas a boa campanha de marketing sozinha é uma tremenda ajuda, mas se o produto não tiver apelo ou não for um bom material, não se pode querer enfiar cilindros em buracos quadrados. O que vejo com quadrinhos de maneira geral, é uma briga acirrada por "quem faz o gibi mais radical" ou o "evento mais explosivo do ano". Isso acontece, claro, com as duas maiores rivais estadunidenses, DC e Marvel. Tudo é feito e baseado na especulação de mídia, jogando imagens misteriosas em sites especializados e em seus próprios gibis. O que é saudável, dado o grau de competitividade. Essas duas gigantes se esmeram para trazer o que há de melhor para o público e assim aumentarem suas vendas.
No Brasil, em termos de mercado interno, não temos um algo por quem lutar. Não digo das "tercerizadas" Panini, Pixel, Devir, etc, que pegam material de foram, terminam de ruminar e cospem pra nós. Estou falando de um mercado genuinamente brasileiro. Agora vou chegar no ponto onde eu queria chegar: produções independentes. Bem... todo mundo sabe que, por serem independentes, elas por muitas vezes são bancadas por seus criadores. Os fanzines têm um grande valor junto ao nosso "mercado" inexistente. São com eles que muitos artistas, começam a levar suas idéias junto ao público. Muitos têm uma produção caprichada, impresso em gráfica, mas a grande maioria ainda usa a xerox para reproduzir suas edições caseiras. Pra todo esse povo, a divulgação tem sido feita de diversas formas, e a ferramenta mais usada tem sido a internet. 
E é aqui que entra o lance do "Marketing" vs Qualidade. Vender o teu peixe pode não ser tão simples. Temos que levar em conta de cara, várias coisas como, em geral, você é um anônimo. Pode até ser conhecido por um grupo que faz a mesma coisa, mas e o "público" em geral? É complicado. Como atingir um grande público? Se fazer conhecido? Mostrar teu trabalho há várias pessoas? E agora a pergunta de um milhão: como fazer esse público se interessar? Um vez vendo uma discussão no Orkut em uma comunidade, peguei algo no mínimo curioso. Um fulano foi lá, abriu um tópico em que o cara tentava divulgar tanto seu trabalho como artista quanto sua produção independente cujo nome não lembro agora. Bem... a comunidade era sobre quadrinhos e o trabalho desse rapaz também. Os primeiros coments foram de cara preconceituosos. Depois descambou paro o xingamento e agressão verbal. Admito que o trabalho do sujeito não era lá essas coisas. Mas me parecia bem produzido. Mas o lance é: o produto dele foi malhado antes de chegar as mãos de alguém. Ninguém naquela comunidade tinha realmente parado para ver o trabalho dele ou se interessado. Preferiram detonar e esperar por seus gibis estadunidenses do mês (ou mangá).

Claro que não sou idiota e o buraco é mais embaixo. Não é porque é brasileiro que temos que achar muito bom (e isso funciona também pro que vem de fora). Tudo implica em várias pequenas questões do tipo "uma coisa leva a outra". Mercado interno vs interno, produção nacional vs estrangeira, condição financeira vs apoio de dentro, enfim. É uma lista longa. Infelizmente, é verdade que boa parte do material, que eu particulamente vi em bancas, nosso, era ruim. Aliás... muito ruim. Chupinhações descaradas das chamadas Comics (os quadrinhos estadunidenses) ou dos mangás (os quadrinhos japoneses). Com desenhos na linha da "moda" e roteiros pra lá de fracos. Isso ajuda a derrubar a pouca estima que há em relação a produção nacional. Então você me pergunta como podemos fazer dar certo. E eu digo que se tivesse essa resposta eu estaria rico. Mas sei que o caminho é boa qualidade, boa divulgação e perseverança. Creio que seja importante está atento ao mercado mundial. Ver onde está dando certo e como fazer o mesmo aqui com a nossa realidade. Eu acho perfeitamente possível, afinal, assim como há material ruim nos alternativos, há material muito também. É mais uma questão de peneirar e ver o que sai para lapidarmos. Eu acredito que possa dar certo e espero que seja uma questão de tempo.

0 comentários:
Postar um comentário