Eu não me considero dono da verdade. Sou bem cheio de imperfeições e falhas. Não me considero um bom escritor, desenhista, ou arte-finalista, embora deseje ser. Acredito que vou pensar sempre assim. Vou estar com 60 anos e ao olhar pra um desenho vou pensar “Podia ser melhor”. Fico grato comigo mesmo no entanto por ter esse senso crítico severo, que já vi faltar a muita gente. Esse perfeccionismo em relação ao que você busca no seu trabalho eu considero essencial. Mas podem discordar se quiserem. Agora existe um perfeccionismo que particularmente considero besta. O perfeccionismo de estilo. Isso pode não ser muito exato, mas o que quero dizer, é que sou contra uma pessoa desenhar de um jeito que não é seu para se encaixar dentro de um grupo ou para ser aceito dentro de um mercado. Isso no entanto é o que mais se vê por aí. Clones de desenhistas famosos, tentando uma beiradinha do sucesso de seu ídolo. “Cara, seu desenho é muito bom… me lembra o Ivan Reis.” É o tipo de comentário que se espera? Acho terrível. Já cometi esse mesmo erro no passado (como disse, não sou o dono da verdade) e hoje fujo dele com todas as minhas forças. Aprender a desenhar não ter a ver com copiar o que está na moda, tanto que quando surge um desenhista com estilo novo no mercado americano, geralmente ele vem da Europa e não daqui, e faz sucesso. Nos falta criatividade? Não mesmo, e existem uns 50 fotologs por aí pra provar isso, falta é coragem. Para buscar um lugar ao sol, tentamos ir pelo caminho pavimentado por antecessores bem sucedidos movidos a dólar e esquecemos esse pequeno detalhe que é a originalidade. Imagine se todos desenhassem dessa mesma forma “perfeita”. Já imaginou Simpsons criado pelo Jim Lee? Já imaginou Tom e Jerry ou Popeye criados pelo Brian Hitch? Com certeza eles não seriam os ícones premiados que são. Seriam Howard, o pato chato da Marvel. É cada vez mais raro ver alguém que se disponha a criar algo diferente do “perfeito”. Ninguém mais parece ter senso artístico. Van Gogh devia pintar como Miguelangelo? Cada um deve ter seu estilo.
Eu aprendi a desenhar copiando. Quando era criança. Agora não preciso mais fazer isso certo? Já tenho minhas influências. Eu acredito sinceramente e aconselho, que as pessoas desde o começo, já nas primeiras (caríssimas) aulas de desenho, aprendam que aquilo que é ensinado, é a fórmula de alguém, e não a verdade absoluta. Siga seus instintos e crie seu próprio caminho e suas próprias fórmulas. Seja o próximo a mostrar algo de novo, e não o que “desenha tão bem quanto”. Não seja o segundo lugar depois de alguém. Seja você e desenhe. Em vez de gastar horas e horas criando a página perfeita, com ângulos maravilhosos, layouts radicais, e passada a limpo em mesa de luz com curva francesa e gabaritos, pare pra pensar se você está se divertindo, e talvez vá lembrar de um tempo em que você desenhava diferente e rápido e isso acontecia. Desenho á mão livre e mente livre. Pra mim, foi quando fiz isso que comecei a me divertir.Abraços.
Jackson Gebien
Jackson Gebien
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