Algo que venho notando ultimamente em fóruns de discussões é que tem muito leitor reclamando do alto preço dos gibis. Na verdade, essa conversa não é lá muito recente. Vira e aparece as pessoas estão batendo na mesma tecla. A verdade, é que hoje estamos vivendo um "boom" de quadrinhos em bancas. Nunca se viu tanta coisa diferente a disposição! Dos chamados títulos de linha, as minisséries, edições especiais, encadernados com capa dura, relançamentos em edições de luxo, enfim. Infelizmente, nem todo mundo tem condições financeiras de adquirir essa tralha toda. É uma situação meio delicada. "Compra quem pode e não quem quer"! É isso tenho lido bastante. Um argumento no mínimo controverso. No mercado hoje, o que muito se diz é que tem material para todos os bolsos e gostos. E isso é verdade. Tem quem goste mais das revistas de linha com preços mais em conta e uma variedade maior. Nesse caso o papel é o chamado Pisa brite, um papel com uma qualidade inferior, mas que não compromete a leitura. Tem os que gostam das edições em capa dura e papel de luxo e tem aqueles que apenas querem ler, que é onde eu acho que me enquadro.
Veja bem: eu acho muito bacana aquelas edições de luxo, com capa especial e papel de prima. É ótimo de se guardar em prateleiras e ainda fica bonito junto a tantas outras. Mas elas têm um ponto contra. Em geral, essas edições vêm com seis ou sete histórias dentro e alguns extras (dispensáveis pra mim) e fica em torno de 148 páginas ou um pouco mais que essa quantidade. Isso por cima. Tem umas com mais ou com menos. Vamos tirar por um título mensal da Panini Comics, que é quem mantém uma maior parte da parcela de títulos em banca. Uma edição mensal comum tem cem páginas contando com a capa em cochê e papel pisa. Com esse número, cabem quatro histórias a R$ 6,90. Uma dessas de 148 páginas (em média) com papel melhor e lombada, custa em torno de 25 ou 30 reais (se for material reeditado). Com esse mesmo valor, eu posso comprar até 400 páginas de quadrinhos de linha com um leque muito maior de criadores. Claro que também depende da obra. Tem edições que valem o valor por questão de conteúdo. Mas é aquela coisa de gosto, bolso e preferência pessoal.
Muita coisa que sai hoje em série mensal acaba ganhando um encadernado pra frente ou em caso de minisséries acabam ganhando a chamada "versão definitiva". Um caça níqueis na verdade. Pra mim o que importa mesmo é ler. Por mim, dando pra enxergar as letras e a arte... tá valendo! Muitos hoje optam apenas por comprar encadernados e edições de luxo que chegam a custar quase 100 reais. Até porque muitas vezes, as editoras sabem o público que têm e metem a facada sem dó nem piedade. Um caso bem simples. A Devir Editora estava lançando os encadernado de Preacher a R$ 45 mangos e papel bom. Mais ou menos 150 e poucas páginas. A Pixel tem os direitos sobre essa publicação agora e está lançando no mesmo formato por 29 pratas. Vê-se aí uma grande diferença. E aí você pode dizer: "Mas é porque a Devir tem uma tiragem menor". Bem... a Pixel que eu saiba não tem uma tiragem muito maior e o público alvo é o mesmo. Isso foi só um comparativo muito aleatório.
Como vale frisar, é de caso pra caso. Editoras menores que trabalham com encadernados tendem a vender seu material mais caro por simples matemática mercadológica: quanto menor for o volume de impressão, mais custos a se cobrar. Aí tem estar à margem de lucro tanto da gráfica, quanto da editora contidos aí também direitos autorais e os escambau. As grandes por ter um volume maior, conseguem descontos maiores e assim reduzem do preço de capa. E tem umas que são cara dura mesmo, no caso explícito que exemplifiquei a cima com a Pixel e a Devir. Bem... no final o que importa mesmo é o gosto e a condição do cliente. Tem muito material por aí como nunca se viu antes? Sim. Alguns deles vale o preço pedido? Pode apostar... mas o que conta no produto final é você.
2 comentários:
Fala, Ed! Reamente é um ponto polêmico, pois existem aqueles que querem somente ler, e aqueles que querem algo pra enfeitar a estante e quardar o bagulho pra sempre! Quero muito comprar o encadernado dos "Supremos", mas porque li poucas histórias deles! O material mensal da panini já tem qualidade de sobra. Se tivesse comprado o mensal, não compraria nunca o encadernado. Àlias já tô até pensando em esperar os encadernados, pois lá tá a história completa e sem "lixos" agregados. E a vontade de ganhar das editoras não deixa elas esperarem muito pra lançar o dito encadernado. Então não vou esperar muito também! Mas acho que as revistas mensais poderiam mesmo baixar um pouco a qualidade e conquentemente os preços! Abraço!
Daqui a pouco você vai defender o retorno do formatinho! Realmente, as pessoas reclamam. Mas os encadernados de "luxo" estão vendendo à beça. Os quadrinhos, hoje, têm o tratamento que merecem. A Panini lança encadernado com capa cartonada e papel especial por menos de R$ 20,00 (ex.: Hellblazer, Fábulas, 100 Balas etc.). Há os mais caros, com capa dura. Mas, sinceramente, o cara gasta R$ 50,00 numa meia tarde no boteco e se queixa de pagar o mesmo valor em algo colecionável, um obra de arte? O seu exemplo de Preacher da Devir e da Pixel, aliás, está furado. O tratamento da Devir aos gibis sempre foi superior ao da Pixel (em matéria de Preacher, ao menos). Tanto na capa quanto na gramatura do papel, além do número a mais de páginas (embora, realmente, os "extras" sejam supérfluos). O que acontece é que pessoas, em matéria de quadrinhos, estão supervalorizando os R$ 50,00 que têm no bolso. Quando compro livros técnicos, com altas tiragens, encadernação vagabunda, papel ruim e de autor nacional, pago uma nota preta. Sinceramente, às vezes, nem sei de onde tiram lucro na venda de quadrinhos, com tanta gente e tantos direitos envolvidos na sua comercialização. Que se dê, cada vez mais, melhor tratamento aos gibis, neste País.
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