
Um grupo de jornalistas baianos decidiu usar os quadrinhos como linguagem para desenvolver o trabalho de conclusão de curso (TCC), no Centro Universitário da Bahia. Leandro Silveira, Caio Coutinho e Fábio Franco escolheram como tema o movimento estudantil baiano e produziram uma reportagem em quadrinhos, em formato tablóide, com 30 páginas.Intitulada Vanguarda: Histórias do Movimento Estudantil da Bahia, a reportagem em quadrinhos começou a ser publicada em capítulos nesse dia 6 de novembro no jornal A Tarde, de Salvador. Até o final do ano, o material completo será disponibilizado em um site, ainda em construção. "Fizemos alguns ajustes para que os internautas possam visualizar com total qualidade todos os quadros, sem que se perca nenhum detalhe da versão impressa", disse Fabio Franco. O roteiro foi ilustrado pelos desenhistas Franklin Mendes, Rodolfo Troll e Thiago Durães, e diagramado pelo designer José Roberto Almeida. A revista conta, através de imagens, episódios importantes ocorridos entre 1942 e 2003, que marcaram a história do movimento estudantil baiano.
Os autores se basearam nos depoimentos das pessoas que participaram de cada fato e também em entrevistas de especialistas, pesquisadores e historiadores do tema. "Existem algumas tentativas dispersas em alguns veículos brasileiros de se fazer jornalismo usando a linguagem dos quadrinhos, mas da forma que fizemos é a primeira vez no Brasil", afirma Leandro Silveira. Durante a pesquisa, os jornalistas descobriram que o movimento estudantil da Bahia adiantou-se ao resto do Brasil em momentos importantes da vida política e social do país. "Muitas ações aconteciam primeiro em Salvador e só depois se espalhavam por outros estados. Mas nada disso havia sido divulgado anteriormente. Tentamos mostrar que o movimento estudantil da Bahia esteve sempre na vanguarda", explica Silveira. A grande reportagem é dividida em quatro matérias: Vamos à Guerra: Mocidade Baiana Exige Entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, que relata a primeira manifestação de rua feita por estudantes brasileiros a favor da entrada do país na Segunda Guerra, em março de 1942, em Salvador. A segunda é Do Palco para as Ruas: Uma História de Estudantes, que conta a história da primeira greve estudantil, após o Golpe Militar de 1964, iniciada em junho de 1966. Já Reconstrução e Quebra-Quebra relata o que ocorreu no primeiro congresso da UNE pós-AI-5, realizado na capital baiana em 1979.
O congresso se tornaria o primeiro passo para a reconstrução da instituição. Por fim, Estudantes do Novo Milênio mostra a revolta dos estudantes soteropolitanos a favor da cassação do então senador Antônio Carlos Magalhães, acusado de violar o painel eletrônico em 2001. De acordo com Caio Coutinho, entre o surgimento da idéia de fazer jornalismo em quadrinhos até a defesa do TCC passou-se mais de um ano de pesquisa sobre o tema, a linguagem dos quadrinhos e como utilizá-la no jornalismo. Ele e Leandro participaram de um curso de história em quadrinhos. "Tivemos muita dificuldade para encontrar referências bibliográficas sobre jornalismo em quadrinhos, visto que esse ainda é um assunto pouco difundido nas universidades brasileiras", ressalta Coutinho. "Por isso, tivemos que criar nossas próprias técnicas para transformar todas as informações apuradas em roteiro para quadrinhos".
Texto retirado na integra do site HQ Maniacs.
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