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sábado, 19 de janeiro de 2008

"Ele tá engrossando/Eu tou saindo..." parte II

Pois então.
Post passado (até fiz uma horinha antes de começar a escrever este, pra ver se ele "passava" mais) abordei a questão do meu divórcio dos gibis mensais (exceto a PiXel magazine, vamos repetir mais uma vez). Decidi então me concentrar em séries fechadas (sobretudo aquelas que eu já estou adquirindo: "Sete Soldados da Vitória", "Guerra Civil", "52" e "Justiça") e especiais/encadernados.
Ontem passei na banca no intento de começar essa minha nova vida.
Já de cara me deparei com o penúltimo número de Sete Soldados (lembrando que, aqui em Belo Horizonte também sofremos os efeitos da onda de antimatéria, digo, da distribuição setorizada), o último número de Guerra Civil, o folhetinho "Preview PiXel 2008". Além destes, o encadernado "E de Extinção" dos X-men, com Grant Morrisson nos roteiros e Frank Quitely nos desenhos e, mais, a edição #62 de Liga da Justiça, que, tendo uma história escrita por Dan Slott (Mulher Hulk) me fez trair minha auto-promessa.
Façamos então o review de duas dessas aquisições ("E de Extinção" e "Guerra Civil #7"), já que tivemos neste caso duas sacanagens por parte da Panini e uma por parte da Marvel mesmo.

Guerra Civil #7 (mini-série em sete edições, de Mark Millar - roteiros; Steve McNiven - arte. Panini Comics, R$ 4,90, 32 páginas).
Chegamos ao número conclusivo da mini-série que aablou o universo Marvel na última semana. A capa (que vcs podem ver ao lado, gentilmente afanada da Comic Shop virtual Banca 2000) é forte: Capitão América e Homem de Ferro, os braços fortes dos dois lados da guerra num confronto final. O miolo? Nhé...
Desde seu espetacular início, Guerra Civil vinha decaindo de qualidade a olhos vistos, tendo alguns números chegado à nível de constrangedores. Uma pena, visto que a premissa era incrível.
A solução que Millar escolhe para resolver o conflito entre Steve Rogers e Tony Stark que enquadra bem no que eu disse: constrangedor, vergonhoso, covarde. Valha-me Santo Ângelo Agostini: foi uma das coisas mais broxantes que já li. E aqui cabe a sacanagem da Marvel que citei acima: permitir que Mark Millar, mesmo sendo quem é dentro da Casa das Idéias, tomasse uma solução tão imbecil para o conflito que criou. Faltou certamente coragem ao homem por trás da Guerra. Como pontos fortes da edição, alguns diálogos (como Bishop versus Cap. América e Homem Aranha Vs Sr. Fantástico) e a briga entre o Thor andróide (hei! Esse Stark não aprendeu nada?) e o leão do Olimpo, Hércules.
Ah, como eu ia sendo injusto: o grande ponto forte da série foi, sem sombra de dúvidas, a bela arte de Steve McNiven. Pena que, no meio desta última edição uma estranha troca de arte-finalistas (sai o competente Dexter Vines e entram John Dell e Tim Townsend) tenha descaracterizado um pouco o bom trabalho do desenhista.

Ah de novo, quase me esquecia de contar a primeira sacanagem da Panini: será que eles pensaram que ninguém perceberia o aumento descabido de R$ 1,00 nesta última edição? Alô Panini! O valor é baixo mas a canalhice é grossa! Uma mini-série em sete partes, sendo as seis primeiras a R$ 3,90 e a última, a conclusão da saga R$ 4,90? Vai dizer que o petróleo aumentou? Aqui em BHCity têm acontecido o contrário, viu?


Novos X-Men: E de Extinção
(edição especial, de Grant Morrisson - roteiros; Frank Quitely, Ethan van Sciver e Igor Kordey - arte. Panini Comics, R$ 25,90, 204 páginas).
Desde muito tempo eu estava afim de ler o arco de Grant Morrisson à frente dos mutantes da Marvel. Responsável por mudanças significativas (como a retirada dos colantes coloridos - com uma ótima justificativa; o surgimento de Cassandra Nova, irmã gêmea de Xavier; a entrada de Emma Frost para o grupo e o conceito de mutações secundárias) julguei que valia a leitura, sobretudo por contar com a incrível arte de Frank Quitely, que admito desde "Liga da Justiça: Terra Dois" (escrita pelo mesmo Morrisson). Como desde a linha Premium da Ed. Abril eu não acompanhava os mutantes, acabei não tomando ciência quando o arco saiu originalmente em Terras Brasilis, mas dei graças a Santo Ângelo Agostini quando a Panini anunciou o encadernado. Foi então, por conta disso que, apesar do preço salgado (uch! a Panini deve achar que eu sou traficante pra ter tanta grana!) resolvi botar na sacola. Se me arrependi? Não digo que sim nem que não, mas explico o porque.
Eu particularmente sou contra esses retcons do arco da velha e de justificativa cronologicamente difícil de engolir, como o surgimento de uma irmã gêmea, ultra poderosa, para Charles Xavier. Penso que ela seria uma vilã interessante mesmo sem esse recurso forçado, ainda mais quando ele se apoia numa tentativa de homicídio intra-uterina por parte do Professor X. Fazendo vista grossa a isto, caímos numa história padrão Morrisson de qualidade. Bons diálogos, emoções à flor da pele e uma caracterização dos personagens eficiente como poucos roteiristas sabem fazer (Millar deveria tomar umas lições com o escocês careca). A história é confusa mas até me agrada, com algumas coisas acontecendo sem grandes explicações (como as mutações secundárias), do jeitinho que acontece na vida real. Há outras coisas que eu não sei simplesmente por não acompanhar as revistas mutantes (como o período que Ciclope passou em poder de Apocalipse. Suponho que foi quando ele esteve "morto"). De resto a história segue com uma qualidade superior à das mensais atualmente em publicação (bem, poucas coisas seriam inferiores).
Entretanto, vem aqui a segunda sacanagem da Panini: esse encadernado não tem pé nem cabeça! Sim, ele começa quando Morrisson assume o título mas... Ele termina num ponto qualquer, aparentemente escolhido de forma aleatória e que deixa o leitor num suspense que... Só Will Eisner sabe quando será dissolvido! Pô, Panini! Será que há alguém disponível para explicar pra nós porque o encadernado termina no ponto onde termina? Investindo em metáforas sexuais ¹, se Guerra Civil #7 foi broxante, o encadernado "E de Extinção" foi como uma ejaculação precoce. Quando a coisa tá ficando boa, é interrompida, sem mais nem porquê, antes do melhor da festa. Uff.

Será que eu terei de reconsiderar mesmo a minha aquisição de mini-séries e especiais? Inclusive aqueles sobre os quais já me informei anteriormente e quero ler? Tá osso, viu?



Nota Suína

¹ "(...) Isso explica porque o sexo é assunto popular (...)" Zé Ramalho. Não posso evitar, minha gente. Flerto fortemente com a psicanálise e o sexo como foro universal de todas as coisas proposto pelo velho Freud...


1 comentários:

Daniel Siqueira disse...

Excelente texto ED ;)

Seus comentários refletem bem a realidade dos quadrinhos americanos atualmente.

Onde será que foram para os bons roteiristas?