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terça-feira, 27 de maio de 2008

Quando a crítica se volta contra o ""critiqueiro"" !!




É comum se ouvir falar que o artista nacional de quadrinhos não possui maturidade ou capacidade para receber críticas, levando, por mais construtiva que seja a mesma, para o lado pessoal, podendo até jogar tudo para o alto em decorrência da não aceitação de determinado aspecto da crítica, quando em última analise tal passagem deveria servir de alicerce para um melhoramento!!


Mas esse texto não intenciona debater esse assunto sob a perspectiva do criticado, embora a realidade resguarde bastante semelhança com a idéia estereotipada que o quadrinista brasileiro possui nesse tema!! De fato ainda não sabemos bem ouvir críticas, mas estaria o próprio quadrinista qualificado a proferir críticas sobre os trabalhos de seus iguais??


Evidentemente que sim!! A crítica não deve ser feita apenas pelo crítico na condição de jornalista, mas também pelo indivíduo que for um profissional especializado em determinada área!! Aquilo que sim deve ser questionado reside na idéia da forma!! Em como desenvolver a crítica para ela atingir seu objetivo!! Isso mesmo, porque a crítica, para constituir a sua condição, tem de visar um objetivo, um propósito!!





É claro que em algumas conceituações que definem a palavra crítica, o caráter de apreciação desfavorável é incorporado em sua significação!! Seria o que chamamos de famosa crítica destrutiva, mas tal manifestação deve ser rechaçada de nossa prática, e sequer será considerada nessa nossa abordadem do tema, pois ela tem como único propósito massagear o ego corrompido de quem a escreveu!!


Ao se inferir um propósito, aquele afeito a se proporcionar algo de válido, necessariamente se deve afastar qualquer conotação negativa por si só da crítica!! Ou seja, ela não deve trazer de sua gênese, antes do crítico se confrontar com o conteúdo a ser criticado, um teor, por menor que seja, negativo, tendencioso, repulsivo!! O que constituiria o pré-julgar, minando qualquer qualidade ou potencial que determinado trabalho pudesse ter frente aos olhos do crítico, e com consequências mais sérias e abrangentes, que seria desfavorcer uma possível melhor aceitação por parte da audiência!!


É bem verdade que exigir especificada manifestação de um ser humano, pela sua própria natureza, não é uma das coisas mais fáceis!! É algo que se assemelha a condição de um julgador, um árbitro, que mesmo municiado de incontáveis regras não tem como fugir do caráter subjetivo de modo a conferir total neutralidade sobre aqueles assuntos sob os quais deve apreciar!! Tanto isso é irremediável que o ato de criticar consubstancia-se na adequação de preceitos subjetivos e objetivos que visam abordar uma avaliação sobre determinado trabalho, estudo, construção, com o intuito de informar outras pessoas!!



Aí onde reside o propósito de uma crítica, avaliar e informar!! Auxiliar na escolha de uma pessoa para levá-la ou não se confrontar com alguma construção artística, cultural, científica etc.!! Não se está aqui querendo consolidar o entedimento de que críticas devam somente enaltecer, apontar pontos positivos, mascarar os negativos!! Não, longe disso!! O que se tem de buscar são críticas de cunho construtivo, que norteiem a escolha da audiência, bem como possibilite a oportunidade de reflexão pelo autor da obra analisada!!





Isso não impede que o crítico possa esmiuçar falhas, contradições, fragilidades no trabalho ora em analise, mas tem que fazer isso com o mínimo de propriedade!! Por mais ruim que considere uma obra, não compete a ele assumir a responsabilidade de esgotar toda e qualquer apreciação por parte da audiência!! Por mais que ele acredite estar gabaritado para criticar ferrenhamente todos os pontos que credencia como insatisfatórios, não compete ao crítico privar o leitor, no caso específico dos quadrinhos, de também se sentir a vontade de contemplar a obra e ter oportunidade de apontar pontos diversos daqueles anteriomente apontados, mas que tenham significado para o mesmo!!


É aí onde reside a sabedoria do criticar!! Evidentemente estamos falando do crítico consciente, que mesmo expondo as feridas e mazelas do trabalho, o faz com categoria de modo a ser construtivo, incentivador, didático!! Infelizmente carecemos de pessoas assim, até porque sabedoria é um privilégio de poucos, e infelizmente não são só a experiência, o estudo, ou a idade que nos conferem esse posicionamento diante da vida!! O mais interessante é que não se precisa nem ser sábio, como o caso de quem escreve essas palavras, para se saber disso!!



O profissional que ao avaliar um trabalho rasga do começo ao fim opiniões depreciativas, e colocando em determinado ponto que a obra tem potencial para melhorar, nada mais fez do que tentar maquiar infrutiferamente sua abordagem tendenciosa e prejudicial!! Deturpações assim se vêem aos montes, e nesses casos elas só afrontam a integridade do próprio ""criticador""!!





Portanto, existem formas de se ser incisivo sem necessarimente ser desrespeitoso ao se criticar!! No final, é tudo até bem simples, apenas avalie e infome!!

Um abraço!!


P.S. Agradecimentos ao meu amigo Dan Siqueira, que em conversa satisfatória me atentou para importantes pontos a serem discutidos sobre o tema!!


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