Começou quando fui escrever um comentário sobre uma postagem do Barretão, lá do S.O.S. Hollywood. O Barretão (aka o repórter Fábio M. Barreto, da Época, Sci-Fi News, etc, etc) contava da emoção que havia sido entrevistar, em ocasião do recente lançamento de Indiana Jones IV, o Sr. Harrison Ford.
O que era pra ser um comentário de chover no molhado sobre a qualidade do post (o Barreto escreve muito bien) acabou virando uma viagem em parafuso rumo à infância quase distante. Enquanto o Fábio confessa olhar pro Ford e se lembrar de Han Solo (de Guerra nas Estrelas. Sim! "Star Wars" é o Capeta da Vilarinho!), eu sempre me lembro do glorioso Dr. Jones¹, autor de mil aventuras, mil peripécias que me botavam a sonhar quando era um moleque com as vistas (e o cabelo) perfeitos.
Quantas vezes eu não desci a rampa da casa da minha avó correndo, fugindo daquela imensa bola de pedra? Ou atravessei as plantas e árvores a golpes de facão, como na floresta inexplorada, ou ainda (o mais foda) joguei folhas secas de cima da laje esperando que elas revelassem uma ponte invisível? Inúmeras! Quando eu era moleque, Indiana Jones era o nome da aventura, era eufemismo pra coragem, era essas coisas todas que os moleque sonham em ser e fazer (bem, pelo menos aqueles sem talento pra sonharem em ser jogador de futebol).
Foi aí, escrevendo essas coisas que eu me dei conta porque ando tão desmotivado pra ir assistir a nova aventura do Dr. Henry Jones II, "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal": ele vai acabar com isso. Não porque eu tenha envelhecido, ficado míope e careca (tá, eu sei que fiquei), mas porque, vê-se nos trailers, vê-se em Shia LaBeouf, em Cate Blanchett que esse novo filme não é Indiana Jones. Não tem aquele clima, aquele cheiro que os filmes antigos conservam. Porque, como eu sempre reclamo aqui, o cinema de hoje esqueceu como se faz uma coisa que ele fazia com a mão nas costas quando eu era moleque: filme de aventura. Hoje é tudo ação. Pensando racionalmente, separando os pontos, acho que não sou capaz de distinguir conceitualmente uma coisa de outra, mas sei quando assisto. A aventura tem um clima, um sentimento uma cor que a ação não tem. Taí a diferença: aventura é como o treiler de sanduba do Tiozão da esquina; ação é um McDonalds...
Aí eu sinto medo, muito medo de pôr o pé na sala de cinema pra ver qual é o "Reino da Caveira de Cristal", e continuo achando que "Indiana Jones" e "De volta para o futuro" são ótimas TRIlogias que deveriam continuar assim...
___________
¹: Inclusive, no post do Barretão eu comentei que Indiana Jones e Dr. Emmett Brown dividem as melhores lembranças da minha infância sessão da tarde. Claro, tinham mais personagens (tipo o Egon de "Caça Fantasmas") mas esses dois eram fodas. Mais até que os outros. Talvez por isso os filmes deles tenham envelhecido tão bem...
O que era pra ser um comentário de chover no molhado sobre a qualidade do post (o Barreto escreve muito bien) acabou virando uma viagem em parafuso rumo à infância quase distante. Enquanto o Fábio confessa olhar pro Ford e se lembrar de Han Solo (de Guerra nas Estrelas. Sim! "Star Wars" é o Capeta da Vilarinho!), eu sempre me lembro do glorioso Dr. Jones¹, autor de mil aventuras, mil peripécias que me botavam a sonhar quando era um moleque com as vistas (e o cabelo) perfeitos.
Quantas vezes eu não desci a rampa da casa da minha avó correndo, fugindo daquela imensa bola de pedra? Ou atravessei as plantas e árvores a golpes de facão, como na floresta inexplorada, ou ainda (o mais foda) joguei folhas secas de cima da laje esperando que elas revelassem uma ponte invisível? Inúmeras! Quando eu era moleque, Indiana Jones era o nome da aventura, era eufemismo pra coragem, era essas coisas todas que os moleque sonham em ser e fazer (bem, pelo menos aqueles sem talento pra sonharem em ser jogador de futebol).
Foi aí, escrevendo essas coisas que eu me dei conta porque ando tão desmotivado pra ir assistir a nova aventura do Dr. Henry Jones II, "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal": ele vai acabar com isso. Não porque eu tenha envelhecido, ficado míope e careca (tá, eu sei que fiquei), mas porque, vê-se nos trailers, vê-se em Shia LaBeouf, em Cate Blanchett que esse novo filme não é Indiana Jones. Não tem aquele clima, aquele cheiro que os filmes antigos conservam. Porque, como eu sempre reclamo aqui, o cinema de hoje esqueceu como se faz uma coisa que ele fazia com a mão nas costas quando eu era moleque: filme de aventura. Hoje é tudo ação. Pensando racionalmente, separando os pontos, acho que não sou capaz de distinguir conceitualmente uma coisa de outra, mas sei quando assisto. A aventura tem um clima, um sentimento uma cor que a ação não tem. Taí a diferença: aventura é como o treiler de sanduba do Tiozão da esquina; ação é um McDonalds...
Aí eu sinto medo, muito medo de pôr o pé na sala de cinema pra ver qual é o "Reino da Caveira de Cristal", e continuo achando que "Indiana Jones" e "De volta para o futuro" são ótimas TRIlogias que deveriam continuar assim...
___________
¹: Inclusive, no post do Barretão eu comentei que Indiana Jones e Dr. Emmett Brown dividem as melhores lembranças da minha infância sessão da tarde. Claro, tinham mais personagens (tipo o Egon de "Caça Fantasmas") mas esses dois eram fodas. Mais até que os outros. Talvez por isso os filmes deles tenham envelhecido tão bem...

