Muita gente me chama de rancoroso. Diz que eu não esqueço as ofensas que sofro, os desgostos pelos quais passo e, portanto, sou incapaz de dar uma segunda chance às pessoas.Se nas minhas relações interpressoais isso pode até ter alguma carga de verdade, a mesma coisa não se aplica à minha vida cultural: quando num primeiro contato eu não gosto do trabalho de alguém (diretores de cinema, atores, músicos, desenhistas de quadrinhos, escritores) é quase regra que eu acabo por dar uma segunda chance. Foi assim com Pedro Almodóvar, Los Hermanos, Darren Aronofsky e agora, com Roberto Guedes. Infelizmente, dos quatro que citei, somente os Hermanos fizeram valer a segunda chance, mostrando que minha primeira impressão era errônea.
...
Terceiro livro do editor de quadrinhos, roteirista e fanzineiro Roberto Guedes, "A Era de Bronze dos Super-Heróis" é um livro, pretensamente histórico, sobre aquela que muitos consideram ser a última grande fase memorável dos quadrinhos de super-heróis norte-americanos, compreendida entre meados dos anos 70 até 1985. Grandes diferenciais desse período foram algumas novidades surgidas no mercado de supers gringo: a entrada da primeira geração de fãs para os anais das editoras, produzindo; o surgimento do Mercado Direto, das Graphic Novels e das Minisséries; entre outras coisas. Assim, se você é um leitor de quadrinhos hoje e está, pelo menos, na casa dos vinte e poucos anos de idade, sabe que começou a ler gibis por conta do que foi produzido nessa fase, o que dá uma (vaga) noção da importância dela.
Isso dá uma noção também, de porque que eu, apesar de ter detestado o livro anterior do
Guedes, "A saga dos Super Heróis Brasileiros", e do precinho salgado deste recém-lançado (R$39,90), decidi me arriscar: como contei no post anterior, as melhores e mais memoráveis HQ's que eu eli (fora uma ou outra excessão) são deste período. Infelizmente, como já dei a entender, o livro fica muito aquém das espectativas.
Veja bem, não estou, em momento algum, questionando o conhecimento do Roberto Guedes: que o cara de fato sabe sobre os quadrinhos, historicamente, não ficam dúvidas. Entretanto, da mesma forma, proporcional a seu conhecimento é sua incapacidade de passá-lo adiante, de forma prazerosa, clara e eficiente. "A Era de Bronze dos Super Heróis" (que passarei a chamar de EBSH, pra economizar) é, não tenho dúvidas, absurdamente superior ao livro anterior do autor, cujos deslizes beiraram o insuportavelmente irritante. EBSH, porém, está longe de ser um bom livro, sequer podendo ser chamado de "mediano": era de se esperar mais, muito mais, do primeiro livro do mundo sobre a Era de Bronze.
Assim, o livro mantém erros que já estavam presentes no seu antecessor, como o deslocamento das imagens, que hora aparecem adiantadas, ora atrasadas do texto a que se referem. Desta vez. porém, o erro é agravado por conta de um dos "marcos" da Era de Bronze: ora, se é característico dessa fase a entrada dos primeiros fãs no mercado, é importante que se apresente, visualmente, as artes que são citadas, dos artistas citados. Um caso particularmente gritante disso é a capa da revista Action Comics 419, de dezembro de 1972, feita por Neal Adams: é citada como famosa, a nota de rodapé conta inclusive que foi a capa da edição nº1 do Super-Homem pela editora Abril mas... nada da capa. Certamente, se o livro tivesse sido escrito há dez anos, poderia se alegar simplesmente a falta desse material, mas hoje com os recursos da internet, é lamentável tamanho descuido (bastou uma procura rápida na internet para localizar as duas versões da capa).
Ainda quanto à parte gráfica, muitas artes aparecem sem legendas suficientes: muitas simplesmente transcrevem o que a imagem apresenta (sendo, portanto, desnecessárias) e muitas outras omitem o nome do autor delas. Isso sem contar as ilustrações que simplesmente não tem nada a ver com o texto, e trazem consigo infoboxes que... Não acrescentam nada! É o caso do infobox sobre os T.H.UN.D.E.R. agents da página 194, que sobram mais que jiló no jantar.
Outro ponto incomôdo é a ausência de um eixo eficiente de organização. Separar o livro entre Marvel e DC e, posteriormente, entre os personagens das duas não funciona, torna o texto confuso, arrastado e não dá a correta noção do dinamismo do mercado de então. Ainda, tal escolha favorece uma constante repetição de informações: no capítulo da Marvel somos informados, por exemplo, de que em determinado momento um autor sai da editora e se dirige à Distinta Concorrente, e essa informação é repetida (como se fosse nova) no capítulo da própria DC e ainda em outras várias passagens. Cansa, como no caso da passagem de Jack Kirby por esta editora: tal fato é nos contado em detalhes no capítulo sobre a DC (o segundo) quando o terceiro capítulo será só sobre esse famoso criador! Da mesma forma que as imagens, algumas informações estão deslocadas no tempo: um autor (John Byrne, por exemplo) é citado num determinado momento, mas só será devidamente apresentado (dizendo de onte veio, o que fazia, como fazia) muito depois. É assim que Gary Friedrich surge, tal qual Pilatos no credo, simplesmente como um alcoólatra que divide o apartamento com Roy Thomas à página 143, para só na 148 termos um vislumbre objetivo e específico de quem ele foi. Ou o caso absurdo de Jenette Khan, que será citada na imagem da pág. 33, mas apresentada somente na 197!! A mim parece que, orientar o livro segundo pequenos blocos cronológicos seria mais eficiente. Afinal de contas, é meio difícil saber se algo aconteceu antes ou depois de um evento, por exemplo, quando as informações estão separadas por editora. Fazer essa ligação, melhorando a fluidez do texto é, segundo creio, o trabalho de um editor. Assim, tanto na questão das imagens quanto da fluência do texto, foi esse profissional que fez falta.
Como escritor, Guedes sofre de alguns vícios bastante incômodos, como sua fixação no termo "fandom¹", que é repetida até a exaustão, aparendo até em contextos que se percebe, claramente, que ela não seria a melhor escolha. O autor parece desconhecer que, apesar de a expressão ter sido cunhada já nos anos 20, não "colou" no contexto brasileiro como sua parente "fanzine", por exemplo. Então, em muitos momentos, quando leríamos satisfeitos o uso do termo "os fãs" ou "os leitores", somos empurrados güela abaixo o "fandom", dando ao texto um ar de petulância e de suposta intelectualidade que chega a incomodar.
Entretanto, à despeito de tudo o que já citei, o pior de todos os problemas do livro (ok, ele empata com a questão do eixo norteador) é que Roberto Guedes, ao menos aparentemente, não sabe para quem está escrevendo. Veja bem: uma regra básica de qualquer manual de redação e escrita é: tenha em mente quem é seu alvo. Parece que Guedes pulou essa lição, não se decidindo se está escrevendo para leitores iniciantes no mundo dos comics ou para leitores veteranos. Isso fica evidente quando se nota que umas vezes ele se detém a explicar demais conceitos simples, e noutras simplesmente ignora o exercício de demonstrar outros tantos conceitos. Um exemplo constante no livro é que gasta-se tempo contando quem é e a trajetória de Carmine Infantino, por exemplo, mas não de Julius Schuwartz: o leitor com "tempo de janela" sabe quem são os dois, mas o novato desconhece igualmente a ambos. Se fazemos um retrospecto de um, é preciso fazer também do outro (ainda mais quando esse outro trabalhou apenas 60 anos numa editora...). A dica é sempre tomar que seu leitor é um leigo no assunto que você está tratando: assim você acaba explicando tudo, tin-tin por tin-tin. Incomoda um pouco o leitor mais experiente, mas não deixa ninguém na mão. Outra manifestação dessa indecisão é a linguagem: prum pioneiro livro "histórico", EBSH tem opiniões demais, é saudosista e passional demais, a começar pela introdução botequesca de Marcio Baraldi.
Ao final, a sensação que o livro passa é um tanto esquizofrênica, como se as coisas não tivessem propriamente uma ligação. Olhando as referências bibliográficas do livro, constatamos que o próprio Guedes é a maior delas, dando uma hipótese forte para essa esquizofrenia: o livro que se tem em mãos não é uma obra única, mas o reagrupamento de outras pequenas obras, publicadas em fanzines e coletâneas de quadrinhos que Guedes editava. Daí, o resultado é o que se vê, o que é uma pena: potencial tinha, a fase enfocada é importante e interessante, mas faltou competência.
Mas o livro tem um lado bom. Precisa ser peneirado, filtrado, mas está lá: a constatação que tudo o que se vê hoje nos quadrinhos já rolou antes. Tudo. Até a pretensa inovação de uma "Planet Hulk", por exemplo.
GUEDES, Roberto. A era de bronze dos super-heróis. São Paulo: HQ Maniacs, 2008. 240 páginas, 21 X 28cm, R$39,90:

_________________________
¹ Aglutinação similar à fanzine, que une as palavras em americanas "fan" e "kingdom", que significam, respectivamente, fã e reino, domínio. Ou seja: fandom é o reino, o grupo dos fãs de alguma coisa.
Isso dá uma noção também, de porque que eu, apesar de ter detestado o livro anterior do
Guedes, "A saga dos Super Heróis Brasileiros", e do precinho salgado deste recém-lançado (R$39,90), decidi me arriscar: como contei no post anterior, as melhores e mais memoráveis HQ's que eu eli (fora uma ou outra excessão) são deste período. Infelizmente, como já dei a entender, o livro fica muito aquém das espectativas.Veja bem, não estou, em momento algum, questionando o conhecimento do Roberto Guedes: que o cara de fato sabe sobre os quadrinhos, historicamente, não ficam dúvidas. Entretanto, da mesma forma, proporcional a seu conhecimento é sua incapacidade de passá-lo adiante, de forma prazerosa, clara e eficiente. "A Era de Bronze dos Super Heróis" (que passarei a chamar de EBSH, pra economizar) é, não tenho dúvidas, absurdamente superior ao livro anterior do autor, cujos deslizes beiraram o insuportavelmente irritante. EBSH, porém, está longe de ser um bom livro, sequer podendo ser chamado de "mediano": era de se esperar mais, muito mais, do primeiro livro do mundo sobre a Era de Bronze.
Assim, o livro mantém erros que já estavam presentes no seu antecessor, como o deslocamento das imagens, que hora aparecem adiantadas, ora atrasadas do texto a que se referem. Desta vez. porém, o erro é agravado por conta de um dos "marcos" da Era de Bronze: ora, se é característico dessa fase a entrada dos primeiros fãs no mercado, é importante que se apresente, visualmente, as artes que são citadas, dos artistas citados. Um caso particularmente gritante disso é a capa da revista Action Comics 419, de dezembro de 1972, feita por Neal Adams: é citada como famosa, a nota de rodapé conta inclusive que foi a capa da edição nº1 do Super-Homem pela editora Abril mas... nada da capa. Certamente, se o livro tivesse sido escrito há dez anos, poderia se alegar simplesmente a falta desse material, mas hoje com os recursos da internet, é lamentável tamanho descuido (bastou uma procura rápida na internet para localizar as duas versões da capa).
Outro ponto incomôdo é a ausência de um eixo eficiente de organização. Separar o livro entre Marvel e DC e, posteriormente, entre os personagens das duas não funciona, torna o texto confuso, arrastado e não dá a correta noção do dinamismo do mercado de então. Ainda, tal escolha favorece uma constante repetição de informações: no capítulo da Marvel somos informados, por exemplo, de que em determinado momento um autor sai da editora e se dirige à Distinta Concorrente, e essa informação é repetida (como se fosse nova) no capítulo da própria DC e ainda em outras várias passagens. Cansa, como no caso da passagem de Jack Kirby por esta editora: tal fato é nos contado em detalhes no capítulo sobre a DC (o segundo) quando o terceiro capítulo será só sobre esse famoso criador! Da mesma forma que as imagens, algumas informações estão deslocadas no tempo: um autor (John Byrne, por exemplo) é citado num determinado momento, mas só será devidamente apresentado (dizendo de onte veio, o que fazia, como fazia) muito depois. É assim que Gary Friedrich surge, tal qual Pilatos no credo, simplesmente como um alcoólatra que divide o apartamento com Roy Thomas à página 143, para só na 148 termos um vislumbre objetivo e específico de quem ele foi. Ou o caso absurdo de Jenette Khan, que será citada na imagem da pág. 33, mas apresentada somente na 197!! A mim parece que, orientar o livro segundo pequenos blocos cronológicos seria mais eficiente. Afinal de contas, é meio difícil saber se algo aconteceu antes ou depois de um evento, por exemplo, quando as informações estão separadas por editora. Fazer essa ligação, melhorando a fluidez do texto é, segundo creio, o trabalho de um editor. Assim, tanto na questão das imagens quanto da fluência do texto, foi esse profissional que fez falta.
Como escritor, Guedes sofre de alguns vícios bastante incômodos, como sua fixação no termo "fandom¹", que é repetida até a exaustão, aparendo até em contextos que se percebe, claramente, que ela não seria a melhor escolha. O autor parece desconhecer que, apesar de a expressão ter sido cunhada já nos anos 20, não "colou" no contexto brasileiro como sua parente "fanzine", por exemplo. Então, em muitos momentos, quando leríamos satisfeitos o uso do termo "os fãs" ou "os leitores", somos empurrados güela abaixo o "fandom", dando ao texto um ar de petulância e de suposta intelectualidade que chega a incomodar.
Entretanto, à despeito de tudo o que já citei, o pior de todos os problemas do livro (ok, ele empata com a questão do eixo norteador) é que Roberto Guedes, ao menos aparentemente, não sabe para quem está escrevendo. Veja bem: uma regra básica de qualquer manual de redação e escrita é: tenha em mente quem é seu alvo. Parece que Guedes pulou essa lição, não se decidindo se está escrevendo para leitores iniciantes no mundo dos comics ou para leitores veteranos. Isso fica evidente quando se nota que umas vezes ele se detém a explicar demais conceitos simples, e noutras simplesmente ignora o exercício de demonstrar outros tantos conceitos. Um exemplo constante no livro é que gasta-se tempo contando quem é e a trajetória de Carmine Infantino, por exemplo, mas não de Julius Schuwartz: o leitor com "tempo de janela" sabe quem são os dois, mas o novato desconhece igualmente a ambos. Se fazemos um retrospecto de um, é preciso fazer também do outro (ainda mais quando esse outro trabalhou apenas 60 anos numa editora...). A dica é sempre tomar que seu leitor é um leigo no assunto que você está tratando: assim você acaba explicando tudo, tin-tin por tin-tin. Incomoda um pouco o leitor mais experiente, mas não deixa ninguém na mão. Outra manifestação dessa indecisão é a linguagem: prum pioneiro livro "histórico", EBSH tem opiniões demais, é saudosista e passional demais, a começar pela introdução botequesca de Marcio Baraldi.
Ao final, a sensação que o livro passa é um tanto esquizofrênica, como se as coisas não tivessem propriamente uma ligação. Olhando as referências bibliográficas do livro, constatamos que o próprio Guedes é a maior delas, dando uma hipótese forte para essa esquizofrenia: o livro que se tem em mãos não é uma obra única, mas o reagrupamento de outras pequenas obras, publicadas em fanzines e coletâneas de quadrinhos que Guedes editava. Daí, o resultado é o que se vê, o que é uma pena: potencial tinha, a fase enfocada é importante e interessante, mas faltou competência.
Mas o livro tem um lado bom. Precisa ser peneirado, filtrado, mas está lá: a constatação que tudo o que se vê hoje nos quadrinhos já rolou antes. Tudo. Até a pretensa inovação de uma "Planet Hulk", por exemplo.
GUEDES, Roberto. A era de bronze dos super-heróis. São Paulo: HQ Maniacs, 2008. 240 páginas, 21 X 28cm, R$39,90:

_________________________
¹ Aglutinação similar à fanzine, que une as palavras em americanas "fan" e "kingdom", que significam, respectivamente, fã e reino, domínio. Ou seja: fandom é o reino, o grupo dos fãs de alguma coisa.
15 comentários:
Xará, não entendi essa sua pseudoresenha. É como dizem por aí, opinião é que nem bunda, cada um tem a sua. O livro do Guedão é sim, um tratado histórico e único no mundo. E o do Super-Heróis Brasileiros também (só ficou de fora "heróis de fotolog" - é o seu caso?).
PelamordeDeus! Criticar a falta de uma mísera imagem num livro que tem mais de 400 é coisa de rancoroso, sim, desculpa aí. Além disso, no rodapé da página 19, o autor explica direitinho o que é fandom - e muito melhor que a sua explicação aí.
Para de ser invejoso e vai se tratar, "compadi".
Lucas Baldaque
Prezado Lucas Baldaque,
em nenhum momento eu questionei se o livro do Guedes é "um tratado histórico e único no mundo": se ele é, então é. Trata-se de um fato, não cabe questionar. A bola que eu levantei é se ele é um tratado histórico e único no mundo com qualidade. Pra mim, Lucas Eduardo Guimarães, não.
Sobre o "A Saga dos Super Heróis Brasileiros", para citar um exemplo, vamos nos ater aos Combo Rangers, por exemplo. Foi a HQ de super-heróis brasileira de maior sucesso nos últimos dez anos, valendo mesmo uma "compra de passe" para trocar de editora. É citada em uma página, no final do livro (num rodapé de imagem!), enquanto que o Meteoro, personagem do autor que nunca saiu dos fanzines (ou seja, nunca alcançou um grande público ou foi distribuído em larga escala) ganha páginas e páginas, praticamente meio capítulo.
Quanto à capa do Neal Adams (voltando ao "A Era de Bronze..."), leia a minha resenha de novo: eu chamei de "um caso particularmente gritante". Isso quer dizer que, evidentemente, há outros. Usei a questão da Action Comics como ilustração, exemplo. Por que (ou de que) eu teria rancor? Cara, eu nem conheço o Roberto Guedes!
Mais uma vez, no que tange à minha crítica ao termo "fandom" faltou um pouco de atenção e critério na sua leitura de minha crítica: eu reclamei do uso recorrente do termo: um termo em inglês, que não "colou" no contexto brasileiro (prova disso é que faz-se necessária uma nota explicando o que ele é, diferente de "fanzine", por exemplo), e que surge, muitíssimas vezes, em locais inadequados. Repetir sempre a mesma palavra, uma palavra estrangeira, mesmo quando ela não cabe, é enfadonho, além de soar como petulância do autor.
Não entendo porque eu criticaria de forma gratuita o livro. Tanto o "A saga dos Super heróis brasileiros" quanto o "A Era de Bronze dos Super-heróis" foram comprados por mim. Eu paguei por eles, de modo que posso deles gostar ou não e, igualmente, expressar esse gosto com os veículos que tenho em mãos. Foi o que fiz. Foi o que você fez. A democracia e a pós-modernidade não são sensacionais?
Mais uma vez você se prende a detalhes pra desmerecer um todo. Um trabalho de esforço sem paralelos, pois muitos torcem contra a divulgação e exposição dos bastidores da HQB. O próprio Gonçalo Jr disse isso a respeito do Guedes, que só ele (o Guedão) teve peito pra fazer isso. E o Combo Rangers recebeu o destaque que merecia. Uma página inteira e com comentários favoráveis. Tá bom demais! Hoje ninguém mais fala de CR. Já do Meteoro, personagem que estrelou sim senhor edições por editoras, como Phenix e Escala, ainda está aí. E o pessoal adora. Se você não gosta, não tem problema, ninguém vai dormir na pia por causa disso. Mas não precisa avacalhar. E o cara tem direito de falar do personagem dele no livro dele. Se os editores pensassem como você, não teriam permitido. E o editor dele é o grande Franco de Rosa. E aí? Qual é o problema? E Meteoro foi comentado num capítulo das HQs independentes, e o livro tem 6 ou 7 se não estou enganado. Quanto à tal imagem do Adams, se não entrou essa manjada capa da Abril, entrou uma capa do Lanterna raríssima, que lá fora não foi publicada. E acho que você é louco, pois o autor entrevistou Roy Thomas, Erik Larsen, Wolfman Stan Lee! Pô! Ele entreevistou Stan Lee!!! Quem mais fez isso aqui nesse país? Amigo, se mata!
Lucas Baldaque
Lucas,
acho que entendi o que se passa aqui. Você está tomando a minha crítica aos dois livros do Guedes que eu li como pessoal. Eu não estou criticando o Roberto Guedes, nem desmerecendo o esforço dele: estou dizendo que o resultado final não foi bom. Que ele tem mérito pelo trabalho, pelas entrevistas... É evidente que tem, ora essas! Quem sou eu para dizer o contrário?
Eu pontuo toda a minha crítica eu dois pontos: 1) eu me importo mais com "o que se diz" do que com o "quem diz". 2) como é dito. Resumindo num exemplo, acredito que você já deve ter tido na vida um professor que notoriamente sabia muito de determinado assunto mas não sabia expressar isso. Daí, quando isso acontece, você diz: "Pô, fulano sabe demais de determinado assunto, mas não sabe passá-lo adiante: ele é um professor ruim." E é mesmo! Que o Roberto Guedes sabe, que ele teve um puta esforço para saber, eu não discuto! É evidente! Ele sabe expressar isso de forma clara e agradável? Não, e é esse o ponto que eu discuto!
Em verdade, a crítica que você projeta em mim, ressoa muito mais no que você aponta. Você diz que eu "Mais uma vez você se prende a detalhes pra desmerecer um todo." Mas é você quem está se prendendo a detalhes da minha resenha! Nenhuma das coisas que vc reclamou eu aponto como grande problema do livro. São problemas "acessórios": são irritantes, mas fossem só eles, o livro passava numa boa. Reveja minha resenha: os principais "problemas" da obra não são o deslocamento/ausência de imagens ou a exaltação de uns em relação a outros. Os principais problemas, para mim, são a ausência de um eixo norteador eficiente e a ambiguidade de público alvo. Tá lá! Sem esses pontos, o livro se confunde e confunde o leitor, jogando fora o bebê junto com a água suja do banho.
Voltando à questão do "Saga dos Super Heróis Brasileiros", assim como eu não questiono se o "A Era de Bronze dos Super Heróis" é um livro pioneiro, sem precendentes no mundo, também não se discute que o alcance de CR foi maior do que o do Meteoro. É fato. Combo Rangers teve quatorze edições pela JBC e dez lançadas pela Panini, totalizando 22 edições periódicas e duas extras. Como o próprio Guedes aponta, Fábio Yabu não só foi elogiado pelo Stan Lee, como "deu umas dicas" ao grande "The Man" sobre publicação na internet. "Quem mais fez isso aqui nesse país?"
Somando Phenix e Escala, quantas edições do Meteoro saíram em distribuição nacional? O Guedes tem direito de falar do personagem dele no livro dele? Evidente que tem! O que eu pergunto é: o quanto isso é válido, num livro histórico, se há um desfavorecimento de outra publicação historicamente mais relevante?
Mais uma vez eu repito: eu não tenho nada contra o Roberto Guedes, nada contra o Meteoro, nada contra o Franco de Rosa. Eu estou criticando um trabalho. Razão pela qual eu jamais pediria à qualquer um destes que fosse se tratar ou tentar o suicídio...
Coleguinhas, qual é o plural de "Lucas?"? Pergunto, pois também sou lucas. hehehe Bem, o livro dos heróis brasucas eu não li, mas li os outros dois do Guedes, e adorei ambos. Lucas Guimarães, o Guedes falou bastante de Julius Schwartz no Quando Surgem os Super-Heróis, pois trata da Era de Prata (que é o período em que o editora da DC teve maior relevância). Já o Infantino foi importante como editor na Era de Bronze. Expliquei?
Quanto a dizer que o Guedes não explica bem, não concordo. O cara é simplesmente a maior referência em quadirnhos de super-heróis brasileiros, o nosso "Roy Thomas". O texto dele é muito divertido. Diverti-me em muitas passagens do livro, principalmente nas passagens sobre os quadrinhos de terror e do mercado Direto.
É isso.
Ainda não comprei o Era de Bronze, mas falaram que é 10. Mas temos de respeitar quem não achou. Só não gostei da capa, pois tem o Wolverine, herói que destesto. Só queria dizer que o Meteoro é legal pra caramba! Leiam o gibi da SM editora, pessoal!
E leiam as colunas do Guedão no site HQm e bigorna. O cara é fera!
Ao terceiro Lucas: infelizmente "Lucas" não tem plural. É como "lápis", o que define se são um ou mais é o artigo que precede. Sobre a questão do Schwartz, entendi o ponto que vc apresenta, ainda que não concorde: os livros do Roberto Guedes não são seriais, de modo que acho injusto exigir que o leitor tenha tido contato com as obras anteriores para entender uma que agora se apresenta. É como o meu caso: exceto por algumas coisas de Superman, Batman e LJA, as Eras de Prata e Ouro me dizem muito pouco, se comparadas à era de Bronze, quando eu realmente li os quadrinhos. Assim, um texto (ou livro) sobre as duas primeiras me interessa pouco, ao contrário de um sobre a terceira era. Se as obras fossem sequênciais ("A saga dos Super Heróis Vol. I, II, etc") aí sim poderia se "exigir" que o leitor seguisse a ordem para entender tudo (e, mesmo assim, seria de bom tom que o "A Era de Bronze dos Super-Heróis" trouxesse uma nota, por exemplo, dizendo que para saber mais sobre o Julis deve-se consultar o outro tomo), mas este não é o caso. Prova disso é que o termo "fandom" é explicado também neste trabalho mais recente, ainda que certamente tenha pintado lá no primeiro livro também. Sobre o fato do Guedes explicar bem ou não, aí penso que caímos no gosto pessoal, donde não há muito o que comentar.
E, ao Último anônimo: fico feliz que vc tenha compreendido o que eu pretendia com a resenha: expôr minha opinião. Não sou jornalista, o Blog Continuum não é um site jornalístico e, mesmo se fossêmos, esse lance de jornalismo imparcial não existe. Independente sim, imparcial, nunca. Sempre expressaremos opiniões pessoais, gostos. E aí, se a HQM Editora fez vitrine para que o Guedes exponha seu trabalho, também fez dele (do trabalho) vidraça para receber as críticas. E a vida segue!
Opa, vamos com calma pessoal. Procuremos manter um certo nível nas discussões e comentários.
Toda opinião é bem-vinda, mas devemos lembrar que ninguém é obrigado a concordar com ninguém. Somente nos regimes ditatorias todos são forçados a "pensar" da mesma forma.
Tenham em mente que todos tem direito de expressar suas idéias e uma discussão saudável se faz com argumentos sensatos e sem ofensas. Aquele que apela, geralmente perde a razão.
O Projeto Continuum é uma tentativa de formar uma comunidade independente com o objetivo de divulgar e estimular o crescimento dos quadrinhos nacionais. Não há empregados, só colaboradores, que são livres para expressar suas idéias da maneira como bem entender.
E QUALQUER UM pode nos enviar matérias e resenhas e pontua-las (ou não) da maneira como quiser (seja com porquinhos ou qualquer outra coisa).
Caso sinta a necessidade de escrever uma resenha favorável a obra escreva-a e envie para:
siqueiradaniel.blog_continuum@blogger.com
Esse endereço NÃO É um e-mail! Ele manda as mensagens direto para a fila de posts a serem publicados. Todas as mensagens ficam na fila esperando por moderação. Caso não se trate de spams e estejam livres de qualquer tipo de conteúdo ofensivo são publicadas na ÍNTEGRA e sem alterações. Além disso, identifique-se ao final da mensagem pois como o processo é automático, essas postagens sempre são creditadas a mim.
Caro Lucas,
Acabei de ler o "A Era de Bronze". Tenho de admitir que não conhecia a expressão "fandom", mas graças a leitura do livro, agora sou um pouquinho mais sábio. Aliás, não sabia nem de um terço das coisas escritas ali. Fiquei maravilhado pela quantidade de informações, e pela maneira prazeirosa que o autor consegue transmitir as informações, sem nenhum tipo de pretensão detectável, ao contrário, é de um despacho empolgante. Recomendo que leia novamente a obra - se é que o fez, de verdade. Gostaria de saber também dos organizadores deste site por que motivo apenas o livro recebeu "nota", quando as demais publicações analisadas não receberam nenhum "porquinho"?
Abraços - e não continue com o mau trabalho, por favor (se não é jornalista, então não tente bancar o tal).
Álvaro de Bragança
O comentário original do Álvaro foi removido, editado e repostado pois continha ofensas pessoais que não serão toleradas. Mas o conteúdo da mensagem foi deixado para que sua opinião permaneça registrada.
Chamar o autor de esquizofrenico pode?
Por que você não editou a resenha também?
Álvaro
Observe bem o final da resenha que o Lucas não chama o autor de esquizofrênico, apenas relata que o livro dá uma sensação de esquizofrenia. Talvez pelo fato de ele ter achado que as idéias foram jogadas sem a devida organização. Constatando ao final, pela bibliografia, que o livro na verdade se trataria de um apanhado de "fanzines" do autor.
Como coloquei no comentário anterior, você é livre para fazer sua resenha positiva da obra e envia-la para o blogue.
[]s
Prezado Álvaro,
como só agora vejo os seus comentários e, ao fazê-lo, já é sob a moderação do Daniel Siqueira, peço desculpas já de antemão se te responder de maneira incompatível à sua mensagem original.
Quanto ao seu primeiro comentário, eu não só li a obra (e à sua predessora) como as comprei: estão aqui em minha pequena "biblioteca". Tenho certeza que você já deve ter lido inúmeros livros e, certa feita, apesar da comoção que determinado autor gera em outrem, não tenha gostado da forma dele escrever. É o que se passa. Em nenhum momento afirmei que o livro era pobre de informações, muito pelo contrário. Apenas apontei que, como a informação se encontra apresentada é que não me é agradável.
O Dan não respondeu à sua pergunta direta, então faço-o eu: é comum (não chega a ser regra) que o material que eu, LUCAS EDUARDO, adquiro, consumo e avalio receba a nota em porquinhos, que eu chamo de "Oinc's!". Os "oinc's!" são exclusividade minha, se relacionam a um apelido que tenho ("Porco") e que dá nome a um personagem criado por mim.
Em nenhum momento me apresentei como jornalista e, como disse em meu último e-mail, esta sequer é a pretensão deste blog: ser jornalístico. Antes disso, o blog é feito por entusiastas da nona arte, uns apenas leitores (eu), outros também produtores (Dan, Rafa e Sapão). E o fazemos para nossos pares, aqueles que também apreciam os quadrinhos, sobretudo a combalida produção nacional. Aqui somos estudantes de Direito, de Psicologia, analistas de sistemas, policiais, professores de educação física... Como diria uma antiga propaganda de cigarros, "diferentes mas com algo em comum": o gosto pelos quadrinhos.
Quanto ao seu segundo comentário, reproduzo aqui o trecho que considerou polêmico e ofensivo em minha resenha: "Ao final, a sensação que o livro passa é um tanto esquizofrênica, como se as coisas não tivessem propriamente uma ligação."
Antes disso, dizer porque da escolha desta palavra: como disse, não sou jornalista, mas formando em psicologia. "Esquizofrênico" é um termo comum no meu meio para designar tudo aquilo que soa fragmentado, dissociado. Como a própria esquizofrenia enquanto patologia clínica.
Percebe? "Esquizofrênica" é um adjetivo relacionada à sensação obtida com a leitura do livro, e que vem de sua organização dispersa deste. Em nenhum momento sequer sugeri que o Roberto Guedes seja esquizofrênico, jamais faria uma leviandade dessas! Primeiro, porque sequer tenho o prazer de conhecer o Guedes e, segundo, porque o texto não trata do autor, e sim da obra dele, ora pois! Ao contrário do que é prática corrente em nosso país, ao pensar sobre uma obra, sobre uma produção cultural, não estou me debruçando sobre quem produziu tal obra. É preciso ser capaz de diferenciar o produtor e o produto, senão fazemos de tudo pessoal, e respondemos à qualquer opinião diversa da nossa de forma passional e descalibrada.
Se em algum momento minha resenha abandona a razão, a crítica asséptica, e se nota tons emocionais, é simplesmente pelo fato de, como consumidor, ter adquirido um produto do qual não gostei.
Abraços, e tenha certeza de que continuaremos o trabalho: na busca talvez de mais uma indicação ao Troféu HQ Mix, quem sabe?
Prezado Lucas,
Incrível como um comentário sobre uma publicação tenha gerado tanta polêmica. Conhenço o Guedes a muito tempo e sei do seu potencial nas histórias em quadrinhos, mas todo artista é passível de erros, falhas, desacertos ou gafes, mas nem por isso, sua obra é desprezada. Outro detalhe importante, é que o leitor tem o direito de avaliar da maneira que achar conveniente a obra comprada, seja ela um livro, um cd ou dvd. Nem todos têm as mesmas opiniões e isso é fato. O Guedes entenderia perfeitamente a crítica, disso tenho certeza, pois já o entrevistei para o meu blog ( madeinquadrinhos.blogspot.com ) e ele se mostrou um profissional muito acessível.Já diria o Diogo Maynard da Veja: texto sem polêmica, é texto não lido.
Postar um comentário