
Em mim, como em muitos outros leitores, a proposta despertou três sentimentos diferentes, ainda que relacionados: surpresa, medo e muito receio. Oras, a turminha funciona tão bem como crianças em idade pré-escolar há tanto tempo! Para quê amadurecê-las agora, sem mais nem porque, e ainda por cima “niponizando” o estilo tão brasileiro do Maurício?
Bem, vamos por partes: apesar de brasileiro, o traço tradicional do Maurício sempre teve muitas influências do mangá. E muito disso se dá pelo fato de que Maurício e Osamu Tezuka, que é considerado um dos maiores mangakás (escritor/desenhista de mangá) foram grandes amigos.
O que está se passando agora deixa de ser influência (que é o que era antes) para virar adesão: não é mais o mangá sendo antropofagizado pelo estilo Maurício de Sousa, mas o contrário. O estilo gráfico agora é um mangá com pitadas de MSP (Maurício de Sousa Produções, chefia!). E isso nos leva a uma pergunta muito importante, e que aparentemente nem o Tio Maurício nem os artistas do MSP se dedicaram a responder: o que faz um mangá? Ou melhor: o que uma história em quadrinhos precisa ter para ser considerada um mangá genuíno? Alguns mais radicais hão de responder que, para ser um mangá, uma HQ precisa ser feita no Japão, por um japonês e, de preferência, escrita
As pessoas costumam associar o mangá (quadrinho japonês) a figuras de olhos grandes, cabelos espetados e coloridos, robôs, samurais e monstros. Tudo isso realmente faz parte do universo do mangá, mas não é o que melhor traduz o que é o mangá. O que mencionei agora tem a ver com uma escola de artes visuais, inserida no gosto médio da maior parte do povo que consome e faz mangá. São estereótipos visuais, padrões estéticos, nada mais que isso. Mas o que muita gente deixa escapar ao folhear um mangá é uma coisa sutil, que foi arduamente pesquisada pelo pioneiro do moderno mangá Osamu Tezuka e aperfeiçoada ao longo dos anos por talentosos artistas.
Trata-se da narrativa, aquilo que liga um quadrinho ao outro e dá ao leitor o entendimento da história no ritmo e no tempo pretendido pelo autor.¹
Sei que a citação é bastante longa, mas a fiz porque, se não fosse pelo intervalo temporal (a revista do Nagado não traz informações acerca do ano de publicação, mas eu a tenho já há um bom tempo, coisa de quatro anos pelo menos) eu diria que o que Alexandre faz é escrever uma crítica direta ao produto que o MSP colocou nas bancas. Sobretudo no que tange à edição #01 de Turma da Mônica Jovem: olhos grandes, cabelos espetados, robôs, samurais e monstros. Sim! Tem tudo isso no gibi da Mônica e o resultado passa longe de ser bom. Isto dito, passo agora à resenha propriamente dita.
Se da arte eu já comentei, cabe citar o roteiro de Turma da Mônica Jovem #01. Em uma palavra? Péssimo. Além de ser pueril demais a uma revista que se pretende voltada aos adolescentes, ele é mal escrito mesmo. Primeiro, passa a impressão de que a turminha cresceu... de um dia para o outro! Ok, isso aconteceu para nós, leitores, mas dentro do universo ficcional da Turma, presumo que as coisas de deram de maneira normal, um ano após o outro. Daí, a contextualização que o roteiro se esforça em fazer do que mudou é forçadíssima e incômoda. Melhor solução (ainda que não plenamente satisfatória) foi tomada no #00, em que tomamos ciência das “mudanças” através do diário da Mônica. Na edição 01, os personagens falam o tempo inteiro das mudanças, em situações antinaturais como se só agora se tivessem percebido mais velhos. Afora isso, o roteiro é todo cheio de situações que se dão sem mais nem porque, truncadas, informações que surgem de repente sabe-se lá de onde. Some a isto o plot simplesmente estapafúrdio e clichezístico (o quê? Rainha bruxa malvada, robôs, monstros e SAMURAIS? Hum... lembra do que o Nagado dizia?) e ao equívoco da mudança de vários nomes (falo mais disso adiante) para que Turma da Mônica Jovem #01 seja leitura difícil de ser concluída de tão ruim que é, diferente das revistas de linha da turminha.
Como citei anteriormente, a questão dos nomes é equivocada. E olha que eu nem falo dos cavos mais bizarros e desnecessários, como o Anjinho (agora chamado de “Céuboy”. Pode? Tá, já li por aí que trata-se de uma referência à “Hellboy” – nem sabia que era mangá – mas não deixa de ser ruim por isso) e do Capitão Feio (“Poeira Negra”? Ah, fala sério!). Falo do Cebolinha (agora só “Cebola”) e do Franjinha (que também perdeu o diminutivo). Para quê mudar os nomes se os personagens são chamados apenas de “Cê” e “Fran”, respectivamente? E as eles se seguem “Mô” para a dentucinha. É de dar nos ovos!
Conclusão: faltou muito gás nessa fanta. Uma idéia que, no fim, no frigir dos ovos poderia dar um caldo, virou um lixo completo nas rendas do roteiro mais incompetente que eu já li na vida. Mais abarrotado de clichês que eu já vi e, na mesma medida, mais desnecessário que posso imaginar. O que acaba dando um pouco da tônica de como eu vejo essa iniciativa: totalmente desnecessária. Penso que faltou ao velho Maurício um pouco mais de carinho e menos desejo de lucro com suas crias. Se era para tocar um idéia nova, revolucionária, deveria ele mesmo ter segurado as rédeas da coisa e, como conhecedor de mangá que é, nos brindado com algo novo, um mangá genuinamente brasileiro, com temas verde-amarelo e personagens idem: como sempre foram as histórias de Mônica, Cebolinha e cia. Do contrário, escolheu deixar na mão de mais um roteirista fantasma do MSP e deu no que deu. Se não tivesse custado R$ 5,90, tinha ido para o incinerador.
E sabe o que é pior de tudo? A edição #00 é até agradável e poderia instigar o leitor (eu incluso), mas foi lida depois da edição #01, destruidora irreparável de qualquer ilusão de qualidade.
Pra não dizer que eu não falei de nenhum ponto bom da revista, cito a participação do Prof. Licurgo, que até faz rir. E só. Pouco, né?
Conclusão: faltou ao pessoal do MSP fazer o dever de casa. Mangá, meus caros, é mais que olhinhos grandes, boquinha pequena, cabelos estranhos, corpinhos esbeltos, papel jornal, arte em P&B, robôs, rainhas bruxas, nomes irados e samurais no bairro do Limoeiro. Mangá é um modo de se contar uma história, e “A Turma da Mônica Jovem #01” não é mangá. É uma ofensa ao gênero, ao quadrinho brasileiro e ao passado dessa Turminha que encanta gerações há quase quatro décadas. É uma vergonha.
Por fim, só o momento picuinha: o Anjinho cresceu. Como? Não sei. Turma da Mônica sempre teve o pezinho bem colocado na mitologia católica (sim! O Chico tem o Padre Lino, e se confessa. Nas HQ’s do Anjinho, muitos santos já deram as caras, como São Pedro) e agora o Maurício me apresenta um anjo que cresceu, envelheceu? Argh! Pô, pessoal, anjo não muda! Nasceram junto da criação e envelhecem como as crianças humanas? Ok... deixa quieto.
Nota: Turma da Mônica Jovem nº 00 (vem como brinde na Revista Tina Especial nº01)

Nota: Turma da Mônica Jovem nº01 (Ed. Panini, R$ 5,90 - preço promocional)

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¹ NAGADO, Alexandre. Como desenvolver roteiro para mangá: narrativa, dinâmica, personagens. In______ Curso Básico de Desenho 13. Osasco: Canaã.
20 comentários:
Aê, Lucas! Consegui ler essa atrocidade ontem, para minha infelicidade (o bom é saber que é tão ruim que talvez daqui alguns anos se torne aquele tipo de vergonha para os autores e, quem sabe, passará a valer uma boa grana, como o primeiro disco do Roberto Carlos e a Playboy da Xuxa!)!
Embora seja ruim por demais, achei alguns pontos positivos: a Maria Cebolinha (que sempre foi uma das minhas personagens favoritas da turma), que ainda age em conformidade com a turminha clássica, algumas frases que brincam com a questão dos personagens fazerem parte de quadrinhos(como quando a Mônica fala que parecia que todo ano faziam sete anos) e alguns comentários da Magali, que embora hoje seja uma patricinha cheia de trejeitos irritantes, ainda tem umas frases bobas que parecem ter sido retiradas da turma normal.
Claro, algumas frases. A maior parte é puro lixo para encher as páginas.
De início já percebemos a qualidade da narrativa, quando a Mônica acorda, pega um livro para ler simplesmente e diz: não posso ler agora! Preciso me arrumar para a escola!
Sem contar que ela diz no começo que é primeiro dia de aula, mas ao chegarem na sala, o professor dá uma prova para eles!!! Falta completa noção temporal!!!
A revista tem um foco completamente perdido. Coloca personagens extremamente infantis, completamente politicamente corretos... e mesmo assim usa umas piadas de contexto sexual, como aquela do Cascão e o pai no banheiro!
Enfim, preferia uma revista sem monstros e que usasse as características dos personagens na vida adulta. Colocar o Cebolinha sofrendo por sua dislalia, a Magali gorda e com problemas de saúde, Cascão sofrendo com aceitação... explorassem mais as características dos personagens. Talvez até colocassem cenas de aventuras e tal, mas algo mais estilo Os Goonies ou Patrulha BRAT, onde os excluídos formariam seus próprios clubes, diversões e, por que não, uma forma contestadora de viver à margem do socialmente aceito, algo que o Maurício fez tão bem com a Turma da Mônica clássica.
Abraço aí!
P.S.: valeu pela análise!
Assinado: DK
Ahh fala serio.A revista ta "MARA"!Mauricio de Souza teve muita criatividade e mostrou os adolescentes de hoje!achei tudo um maximo e é um bom livro para os pré-adolescentes como eu que já começam a entrar em conflito.
A turma agora cresceu sem perder seu estilo de Humor emoção e uma pitada de Amor.Até o Anjinho e o Franjinha cresceram.Agora mauricio pode fazer com ke Mônica e Cebolinha(atual Cebola)Fikem juntos!
Eu amei Mônica Jovem!:)
Eu parabeniso o nosso Mauricio!
Ass:Valquíria Clara
Fã nº1 da Turma da Mônica,tanto Criança como Jovem!
Ei, por acaso o autor da matéria é o Alexandre Nagado ? Cara, se for você mesmo eu estou decepcionado com seu comentário ! Te "conheço" da antiga revista Herói e nunca imaginei que um profissional do seu nome tivesse uma mente tão fechada e retrógrada,com uma atitude tão pouco profissional em relação ao trabalho dos outros. É claro que ninguém é obrigado a gostar de algo e com é no seu blog você têm todo o direito de falar o que quizer mas realmente estou triste por logo você falar tanta besteira dessa revista. Pelo jeito você ñ é tão bom assim na sua área como imaginava, já que você ñ entendeu o "espírito" da revista. A Turma da Mônica sempre tratou de vários assuntos de forma cômica e satírica. Mesmo agora, o Maurício ñ tinha pretensão de criar um autêntico mangá mas sim prestar uma homenagem bem humorada a eles. Se ñ fosse assim, ao invés de "estilo mangá", ele teria criado o nome como "Mangá Turma da Mônica Jovem", por exemplo. Lamentável seu comentário assim como desse Anônimo que é mais um de cabecinha pequena.
Parece que eu estava totalmente equivocado quanto ao editor da matéria. Mas ñ entendi o que o nome do grande Alexandre Nagado está relacionado com o blog. Alguém poderia me explicar ? E se por acaso ele tiver lido meu comentário, onde quer que esteja, eu peço desculpas e retiro tudo o que disse sobre ele. Então minha crítica sobre a matéria vai especialmente para o autor do post, esse Lucas é quem ñ sabe de nada sobre quadrinhos e fica falando besteira. Acho que foi por isso que meu comentário foi publicado mas como minha crítica vai para você, meu caro Lucas,provavelmente ñ vão publicar este meu comentário.
Flaid, vamos por partes para ficar claro: 1) O que o nome do Alexandre Nagado faz na matéria?
O nome do Nagado foi citado porque eu copiei e colei (manja o famoso Ctrl+C Ctrl+V?) um trecho de um texto dele sobre o que seria um mangá. A referência do texto está aí, completinha, e foi publicado numa revista muito posterior à Herói (que convenhamos, era bem vazia em matéria de conteúdo) 2) A publicação dos comentários.
Será que você não percebeu que, quando comentou, seu texto carregou imediatamente? Os comentários não são moderados, apesar do Dan Siqueira costumar apagar comentários pessoalmente ofensivos, o que ainda não foi o seu caso. Usar a desculpa do fraco (não vão publicar meu texto porque eu estou criticando vocês) é bem batido e não cola aqui. Desde que você tenha respeito, pode dizer o que quiser.
3) Turma da Monica Jovem: eu continuo achando ruim. E pelo mesmo motivo: o Estúdio Maurício de Sousa escreveu uma história para o mesmo público de sempre (as crianças, até aí nenhum problema) mas mascarado de trabalho para adolescentes. Todo mundo que eu vi que elogiou ou eram crianças (que não sabem como é a juventude) ou adultos, que guardam uma visão tão romântica e nostálgica da juventude que sequer lembram como ela realmente era. Some a isso o arremedo de elementos de mangá que eles colocaram na trama ("Uma coisa de cada vez/tudo ao mesmo tempo agora" diziam os Titãs), sendo a própria rasa como um pires e pronto: você tem esse porqueira que nos entulharam. Por sorte, a Turminha tradicional continua...
A última pessoa do mundo que sabe alguma coisinha sobre mangá é o Nagado.
Tezuka PLAGIAVA Max Fleisher e Disney. Não teve pesquisa nenhuma, foi pirataria mesmo, no máximo uma junção de narrativa visual com simplificação gráfica.
mas aí que a porca torce o rabo: o Nagado sempre e sempre quer botar banca de conhecedor de mangá só por ser filho de japonês e por escrever historinhas mangáticas!
Bobagem!
É só você usar a cabeça que pode sacar no ato que o esquema dele é fazer oba-oba e bancar a "otoridade".
Já a Turma da Mônica mangá é tudo!
Menos mangá.
Na minha concepção é propaganda enganosa, é mutreta mesmo, uma continuação das tentativas do Maurício de faturar uns trocados com suas "homenagens" aos temas famosos: terror, suspense, FC, Guerra nas Estrelas, Super Heróis...
E, agora, mangá!
Mas não é mangá!
Nunca foi, nunca será mangá!
Porque o mangá tem erotismo, sangue, fúria, violência ou então extremos de candura e doçura.
A Turma da Vômica mangá é só o maurício EMULANDO mangá!
A molecada burra aceita porque é moda mas não dou 6 meses prá essa bosta ir prás picas.
Meu caro Zerobertopress desculpa lhe falar mas é você quem não sabe nada de mangá. A essência do mangá está no roteiro. Desde que se tenha um enredo envolvente com personagens que prendem a atenção do leitor, o que vale também para os animes. Nem precisa ter sangue e/ou erotismo para ser um bom mangá. Astro Boy é um ótimo ezemplo. E você está enganado quando disse que o Tezuka plagiou a Disney, foi o contrário ! O Rei Leão é cópia descarada do Simba, o leão branco do Tezuka. Quanto a Turma da Mônica só quem não conhece vai achar que aquilo é mangá. Pelo contrário, é uma bricadeira leve e divertida "camuflada" de mangá "para adolescentes" mas voltada para toda família como sempre foi as histórias da Turma da Mônica. Se alguém queria ver mangá mais picante então é só ler Inu Neko,Love Junkies ou qualquer outro do gênero.
Aí gente, só queria corrigir algo que eu mesmo errei no último comentário; o leão branco do Osamu Tezuka se chama Kimba e não Simba.
primeiro putz q blogzinho mais chinfrim... eu acho q o autor do post não leu acho q roubou a opinião de alguem pois nem parece o mesmo tmj q eu li muita coisa é bem diferente este é um ótimo manga li todas as edições até agora e outra num era pra ser manga na própria capa diz q é estilo manga tem diferença
Ô Jesus... Eu devo ter pregado chicletes na cruz...
Vamos lá, anônimo, te respondendo por partes. Ou melhor, vou responder duas das coisas que você disse e a outra acusação, deixo para responder.
Se vc acha que eu li ou não as revistas, não posso fazer nada. Mas o fato é que eu não só li como comprei-as. Gastei dinheiro suado nesse lixo tóxico. E realmente, você me descobriu: eu copiei o texto. Saiu daqui: http://ochickeiroquatro.blogspot.com/2008/08/eu-li-turma-da-mnica-jovem-nmeros-00-e.html pode ver, eu não mudei nem as vírgulas. Inclusive, se vc buscar lá nesse blog por "Turma da Mônica" encontrará outras postagens tão (ou mais interessantes).
Sobre o que você mesmo disse, reproduzo a sua mensagem para ficar mais claro:
"Anônimo disse...
primeiro putz q blogzinho mais chinfrim... eu acho q o autor do post não leu acho q roubou a opinião de alguem pois nem parece o mesmo tmj q eu li muita coisa é bem diferente este é um ótimo manga li todas as edições até agora e outra num era pra ser manga na própria capa diz q é estilo manga tem diferença"
Uai... Confundiu?
Por fim, desculpe o mau humor mas, sendo o blog "chinfrim", é sempre bom lembrar que o botão de "X" é a serventia da casa.
Caramba, e eu achando que escrevia mal ! Quase não entendi o que esse "Anônimo" disse aí.
No começo eu até que ficava chateado com as críticas mas até eu concordo que a revista é meio "chinfrin", ao contrário do site, que é muito bom. Acho que a principal razão porque eu gosto da TMJ é por se tratar de um fetiche meu se tornando realidade (e de muita gente tbm.).Pra mim não importa a qualidade do roteiro (dessa revista) pois por sorte ainda temos muitas revistas da turminha original pra compensar isso.
Putz, eu acabei de lembrar que não ia mais comentar sobre isso mas agora que já escrevi...
Lucas porque vc tm sempre q chamar oque ñ gosta de "lixo tóxico" ? Quer dizer q tudo q vc gosta é bom ? Não possui defeitos ?
Tudo bm q cada um tm direito a liberdade de expressão mas suas críticas são exageradamente ácidas.
Uma atitude assim é muito influenciável principalmente vindo de pessoas que lidam com um meio de comunicação e isso é ruim.
Eitcha...
Mas essa postagem tá rendendo, hein?
Então vamos lá, The Dark, por partes. Você faz um caminho de pensamento tortuoso e, porque não dizer, falacioso.
"Lucas porque vc tm sempre q chamar oque ñ gosta de "lixo tóxico"? Quer dizer q tudo q vc gosta é bom? Não possui defeitos?"
O fato de apontar algumas coisas que eu não gosto como "lixo tóxico", não quer dizer, em nenhum momento, que tudo o que eu não gosto é ruim e, pior ainda, não é indício nenhum de que o que eu gosto é perfeito! Não vou entrar numa discussão besta de "o que é perfeito", mas vamos aos fatos: 1) Uma coisa pode ser boa e ter defeitos; 2) Pode-se gostar de algo, independente do seu status de "perfeição". 3) Uma coisa pode ser "ruim" e agradar, ou pode ser "boa" e não agradar.
"Lixos tóxicos" como Turma da Mônica Jovem, além de não me agradar, são ruins na execução. O roteiro é pueril demais para uma revista que se pretende adolescente, furado, mal planejado. Podia não me agradar mesmo que fosse um trabalho bem executado, daí a crítica seria diferente. Não é o caso.
Eu vou ignorar a parte da "liberdade de expressão": cansei disso, de um monte de gente evocar um direito que desconhece, só ouviu falar.
"Uma atitude assim é muito influenciável principalmente vindo de pessoas que lidam com um meio de comunicação e isso é ruim."
Primeiro ponto, minha resenha não é influenciável. Influenciável é aquele que se deixa influenciar. Quando algo influencia, é influente, aí concordo que a minha resenha possa ser.
De qualquer forma, pelo que entendi, você aponta o fato de minha resenha ser influente como um defeito, pois lidamos com comunicação. Vamos lá: qual é a função da crítica? Charles Baudelaire diz isso sobre ela: "A crítica deve ser parcial, política e apaixonada".
Baudelaire já começa com um atributo que nossos tempos ignorantemente pseudodemocráticos tendem a atacar, que é a parcialidade. A crítica deve sim ser parcial, representa o ponto de vista de um sujeito, tomado como referencial sobre determinada coisa.
Política, ao contrário do que a gente pensa, não se refere necessariamente aos engravatados de Brasília: política é o que se refere à pólis, à cidade, ao outro. A crítica deve sair de uma pessoa, parcial, mas voltando-se para a comunidade, para o outro. "Guarde suas opiniões para si" é a anticrítica.
Por fim, apaixonada se refere mais à parcialidade, mas impõe a ela um limitador: a crítica só vale quando ela é genuína. Quando o crítico se pôs a falar de algo sobre o qual ele tem real interesse. Não existe "criticar por criticar" se o sujeito critica com paixão.
E aqui acrescento outro ponto, síntese do pensamento do francês: qual é a função da crítica? Em uma palavra, influenciar. Quem escreve e quem lê uma crítica têm em comum o desejo de que a crítica seja influente. Senão for, pra quê ela serve? Pra nada. Pense comigo: quando se diz se quer dizer que fulano é um bom crítico, um crítico de respeito, o que dizemos? "Que fulano é um crítico influente"...
BK, seu comentário foi apagado por conter ofensas pessoais e palavras inapropriadas.
Expresse sua opinião, qualquer que seja ela, mantendo a educação.
Lucas, ñ acho errado terem feito o Anjinho (q agora se chama Ângelo) adulto. Como vc. bm falou, a TM sempre teve o pé firmado na mitologia católica mas esqueceu q a TMJ é outra "realidade" ?
Acho q poderíamos considerar como um futuro alternativo, com base em muitos outros elementos não só da cultura pop mas de outras religiões.
Eu tbm. nunca soube de anjos que crescem em nenhuma religião pois nas que eu conheço eles já são adultos. Então, eu pergunto : O que tm de errado em misturar elementos de mais de uma religião ?
Claudia, misturar religiões eu acho um trem meio complicado (sim, eu vivo no Brasil e sei o que é sincretismo, antes que me sacaneiem), porque, queira-se ou não, o credo religioso é um conjunto fechado de preceitos. Mas é claro, pensar isso não diz nada, já que nem TM nem TMJ são materiais desta ou daquela religião: estão representando a cultura do tempo, da nossa época, que mistura as coisas. É Cristo com Oxalá, Kardec com Agostinho...
Na verdade, o "crescimento" do Anjinho me incomodou mais porque, já tem anos, a Maurício de Souza Produções fez uma animação de natal (acho que era a da estrelinha mágica) em que mostrava o nascimento de Cristo e o Anjinho estava presente, tal e qual o conhecemos: somente vestia túnica ao invés da camiseta azul com shorts pretos. Lembro que quando vi a animação, fiquei muito impressionado com a atenção da equipe em se lembrar que anjos não envelhecem.
De qualquer forma, seu comentário me deixou uma dúvida: afinal, em que religião foram se valer para, misturando com a mitologia católica, envelhecer o Anjinho?
E um P.S.: o a tradição católica tem anjos em forma de criança sim, nunca reparou nas igrejas barrocas? Popularmente, os querubins são representados como crianças.
Lucas, eu me refiro ao Cristianismo, cujo Velho Testamento das Escrituras Hebraico-Aramaico cita os anjos como seres de luz, criados a imagem e semelhança de Deus.
Apesar disso em suas passagens bíblicas, os anjos sempre assumem formas de homens adultos, o porque disso eu não sei.
Nunca fui muito religiosa, apenas seguia por vontade de minha mãe, que era Testemunha de Jeová. Resumindo, do meu ponto de vista o Anjinho nunca envelheceu pois o tempo não afeta ele, ele apenas assumiu uma forma adulta para se "enturmar" com a turma.
Ainda bem que você parou de fazer posts sobre a TMJ, Lucas.
Enfim percebeu que é perda de tempo ?
Ainda bem, assim ñ teremos mais postagens lamentáveis como essa.
Creio que muita gente que gosta de TMJ e que é leitor do blog, deve ter ficado indignado com isso.
Pelo menos seus outros posts são muito bons, mesmo quando se trata de outros assuntos que você não gosta.
Cláudia, antes de mais nada, obrigado pela parte elogiosa do seu comentário. É bom quando alguém diz que gosta do trabalho da gente, ehehehehe
Doutro ponto, eu não parei de fazer resenhas de TMJ porque percebi que era perda de tempo (apesar de "tempo" ser algo realmente raro para mim nos últimos tempos). Eu parei porque eu só resenho aquilo que compro. E comprar TMJ é perder dinheiro: um dia, na banca, pensei em comprar a supostamente messiância edição nº5, mas diante do preço de R$6,40, achei que eu ganharia muito mais torrando tudo em balas e chicletes. Além do que, não adianta nada reclamar, reclamar e reclamar se eu continuar comprando. TMJ é péssimo, detestável, uma coleção de todos os adjetivos negativos que eu possa pensar, e a MSP não vai mudar: aquele lixo continua vendendo! Então... pra que serve a crítica? Pra nada, não vai mudar nada...
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