Certa feita, passeando pelo Melhores do Mundo, me deparei com uma arte absurdamente excelente sobre o escrachado personagem italiano "Italian Spider-man". O mais bacana foi saber que os desenhos (um deles é papel de parede no meu desktop), todos absurdamente profissionais, eram feitos por um brasileiro e fanzineiro: Danilo Beyruth.Pelo blog do cabra fiquei sabendo que ele tem um personagem, o Necronauta, assim descrito pelo próprio autor:
"A missão do Necronauta é conduzir a alma dos mortos ao além. Sua especialidade sao aqueles que em vida deixaram assuntos inacabados, aqueles que têm pendências e que ficaram presos ao plano intermediário, almas penadas, assombrações e poltergeists, usando do seu Necrodisco, do seu Necrocinto de utilidades e de astúcia. Necronauta é o 'salva-vidas' dos mortos"
Daí que eu fiquei absurdamente curioso para ler as aventuras do Necro mas, como a maioria da produção nacional não tem distribuição, e só chega às mãos dos leitores via correio (o que me dá uma imensa preguiça, admito), achei que nunca leria o trabalho do Danilo. Até que uma ida na Comic Shop aqui de BHCity mudou tudo.
Lá encontrei, pela bagatela de R$ 1,00 cada, os quatro primeiros números (de cinco) das aventuras do salva-vidas dos mortos. Apesar de nunca ter lido nada além do preview do personagem, achei que só a arte já valia o investimento¹. Pra sacola com as quatro edições então.
De maneira muito bem humorada, Danilo estima a leitura do gibi (de 8 páginas) em 3-4 minutos, e é uma previsão bastante acertada, se pensamos numa arte qualquer nota (ou se você é o autor, e já está cansado de ver o próprio trabalho), mas não é verdade aqui. A arte de Danilo é lindíssima, de modo que a gente gasta um tempão reparando em cada detalhe que ele magistralmente insere na trama (como a caveira estilizada que sempre entrega os disfarces do personagem).
Mas falando assim da arte, meu caro leitor pode pensar que o gibi é um Image Style (ou seja: arte linda, bundas, seios femininos mas nenhum roteiro): não poderia estar mais longe da verdade (engraçado é que a capa da edição #1 apresenta o Necronauta com uma granada e uma metralhadora nas mãos, proferindo a ameaçadora frase: "Então é guerra!!!". Mas bacana é a observação que acompanha a ilustra: "Atenção: puramente ilustrativo, não faz parte da história", o que é uma jogada sensacional contra as capas enganadoras dos quadrinhos mainstream). Beyruth escreve a HQ da primeira revista, "O soldado assombrado". Já as edições seguintes contam, respectivamente, com os roteiros de Stephen Lindsay ("Assuntos de família"), Marcelo Briseno ("Sagarmatha") e Luiz Costa ("No fim do túnel"). O bacana é que, apesar do tom zombeteiro das capas e do próprio protagonista, o tom das histórias passa muito mais pelo drama do que pela comédia, e é o ponto em que mais elogios cabem aos roteiristas. As tramas são simples, tocantes e fechadinhas... em oito páginas! Caceta! OITO páginas! Como já li e reli as quatro edições, posso eleger aquela que achei a melhor de todas: "No fim do túnel", de Luiz Costa. A idéia de um suicida que sempre é mal-sucedido em suas tentativas é sensacional e, ainda que o desfecho seja previsível (porque precisa ser mesmo) a forma como a trama é conduzida é muito boa. Pode alguém ser tão azarado (e fracassado) até o ponto de não conseguir tirar a própria vida? Para se ter idéia da qualidade do trabalho, nenhuma das edições é ruim. Na pior das hipóteses pode-se dizer que a número 2 ("Assuntos de família", de Stephen Lindsay) fique aquém das demais, talvez pelo tema, mais denso, para tão poucas páginas. Mas mesmo esta edição não é, e passa longe de representar a perda inútil de 3 ou 4 minutos.
A guisa de conclusão, dizer que nada há em Necronauta que possa ser criticado duramente. A arte é excelente (sendo que a arte-final é feita... a pincel!), os roteiros também, a edição é muito bacana, com as edições variando a cor das capas. Um trabalho de primeira.
Quer saber a nota? Meu bom, a nota não pode ser outra:
Lá encontrei, pela bagatela de R$ 1,00 cada, os quatro primeiros números (de cinco) das aventuras do salva-vidas dos mortos. Apesar de nunca ter lido nada além do preview do personagem, achei que só a arte já valia o investimento¹. Pra sacola com as quatro edições então.De maneira muito bem humorada, Danilo estima a leitura do gibi (de 8 páginas) em 3-4 minutos, e é uma previsão bastante acertada, se pensamos numa arte qualquer nota (ou se você é o autor, e já está cansado de ver o próprio trabalho), mas não é verdade aqui. A arte de Danilo é lindíssima, de modo que a gente gasta um tempão reparando em cada detalhe que ele magistralmente insere na trama (como a caveira estilizada que sempre entrega os disfarces do personagem).
Mas falando assim da arte, meu caro leitor pode pensar que o gibi é um Image Style (ou seja: arte linda, bundas, seios femininos mas nenhum roteiro): não poderia estar mais longe da verdade (engraçado é que a capa da edição #1 apresenta o Necronauta com uma granada e uma metralhadora nas mãos, proferindo a ameaçadora frase: "Então é guerra!!!". Mas bacana é a observação que acompanha a ilustra: "Atenção: puramente ilustrativo, não faz parte da história", o que é uma jogada sensacional contra as capas enganadoras dos quadrinhos mainstream). Beyruth escreve a HQ da primeira revista, "O soldado assombrado". Já as edições seguintes contam, respectivamente, com os roteiros de Stephen Lindsay ("Assuntos de família"), Marcelo Briseno ("Sagarmatha") e Luiz Costa ("No fim do túnel"). O bacana é que, apesar do tom zombeteiro das capas e do próprio protagonista, o tom das histórias passa muito mais pelo drama do que pela comédia, e é o ponto em que mais elogios cabem aos roteiristas. As tramas são simples, tocantes e fechadinhas... em oito páginas! Caceta! OITO páginas! Como já li e reli as quatro edições, posso eleger aquela que achei a melhor de todas: "No fim do túnel", de Luiz Costa. A idéia de um suicida que sempre é mal-sucedido em suas tentativas é sensacional e, ainda que o desfecho seja previsível (porque precisa ser mesmo) a forma como a trama é conduzida é muito boa. Pode alguém ser tão azarado (e fracassado) até o ponto de não conseguir tirar a própria vida? Para se ter idéia da qualidade do trabalho, nenhuma das edições é ruim. Na pior das hipóteses pode-se dizer que a número 2 ("Assuntos de família", de Stephen Lindsay) fique aquém das demais, talvez pelo tema, mais denso, para tão poucas páginas. Mas mesmo esta edição não é, e passa longe de representar a perda inútil de 3 ou 4 minutos.
A guisa de conclusão, dizer que nada há em Necronauta que possa ser criticado duramente. A arte é excelente (sendo que a arte-final é feita... a pincel!), os roteiros também, a edição é muito bacana, com as edições variando a cor das capas. Um trabalho de primeira.
Quer saber a nota? Meu bom, a nota não pode ser outra:

São 5 Oinc's! com louvor, porque Necronauta, o salva-vidas dos mortos (ou seria "salva-mortes") é recomendadíssimo. E tenho dito.
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¹ Esse é um grande problema (e eu começo a achar que é um dos maiores) do quadrinho nacional: o preço. Eu estava bastante interessado em comprar o álbum "Aú, o capoeirista" do Flávio Luiz mas... pagar R$ 48,00 em algo que eu não conheço é muito. Muito mesmo.
¹ Esse é um grande problema (e eu começo a achar que é um dos maiores) do quadrinho nacional: o preço. Eu estava bastante interessado em comprar o álbum "Aú, o capoeirista" do Flávio Luiz mas... pagar R$ 48,00 em algo que eu não conheço é muito. Muito mesmo.

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