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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Mercado Nacional por Jackson Gebien !!




Nosso mercado de leitores é composto de pessoas de diversas idades com gosto variado. Alguns só leem comics, outros só leem fumetti, outros só leem mangá, ou Disney, ou eurocomics, ou charges, ou Turma da Mônica e por aí afora. Engraçado é que se você parar pra pesquisar um pouco, vai notar que muitos, senão todos esses estilos tem diversos representantes no Brasil. Citando alguns: nos comics tem o Cometa do Samicler. No fumetti temos hoje o fantástico trabalho do Fred Macedo. No mangá tem Observatório Lunar no HQnado. Quadrinhos Disney foi produzido no Brasil durante muitos anos e por uma grande e ótima equipe. Quadrinhos estilo europeu tem diversos representantes, mas de cara me vem a memória o trabalho do Watson. Nas charges tem gente boa demais. O que dizer de gente como Angeli, Glauco e Laerte. Perfeitos. Turma da Mônica? Padrão internacional de qualidade. Por aí vai. Então por que diabos trabalhar pro mercado externo?



Cometa de Samicler


O prestigiado traço de Fred Macedo


Observatório Lunar uma das muitas atrações do HQNado



Acorda gente! Você que pensa assim precisa refletir. Você só quer desenhar o Batman porque 90% do que você leu de quadrinhos até hoje é fabricado nos EUA. Garanto que desses 90 só uns 20% você gostou tanto a ponto de se lembrar da história. E claro, te falaram que rola uma grana mágica! Besteira da grossa. Tem 20 caras diferentes desenhando o Batman todo mês. Mas eles não são ninguém. O Batman é que é. Apenas o personagem é que ganha com todo esse status criado em torno de suas histórias e persiste faturando uma boa grana. E a editora também, claro. Estou citando o Batman, mas isso vale pra todos os estilos que foram importados e assimilados. Todo mundo quer criar o próximo Dragonball, ou o próximo Tex. Não vou discutir originalidade. Hoje em dia é rara e díficil de se obter na criação de um personagem. Com super heróis por exemplo. Pode-se cercá-lo de fatores diferentes, mas se ele voa, inevitávelmente é uma cópia do Superman. Ele foi o primeiro a voar nos quadrinhos, e todos que voam devem pagar pau pra ele. Mas voltando ao fator status, é isso que faz todo mundo caminhar em determinada direção até na hora de traçar seus objetivos. Técnicas de marketing voltadas aos quadrinhos. Taí uma coisa que quase não se fala. O Batman, o Dragonball, o Tex, vendem porque tem um marketing bem estruturado além de serem muito bem produzidos.


Batman sempre no topo devido ao bom marketing



Mas se temos pessoas que produzem ótimo material como os que foram citados no começo do texto, só o que falta mesmo é fortalecer a marca. Focalizar em um personagem só ou em um só título, e investir. Não adianta criar 300 personagens. Tem muita gente que focaliza, mas esbarra em tantas dificuldades que só caminha a passos lentos. Mas esses é que são os verdadeiros heróis. Se você insiste numa marca ou nome por vários anos, esse nome vai se tornando reconhecível por cada vez mais pessoas. Se esse nome tiver status de qualidade, cada vez mais pessoas vão se interessar, e lentamente as vendas aumentam. Quanto mais as vendas aumentam, mais você deve divulgar. Isso é marketing. O que vende muito chama a atenção, porque o leitor sabendo disso imagina que deve ser bom. Muitas histórias do Superman não são boas, mas vendem muito mesmo assim. O que determina o status do Superman são os artistas. Escritores e desenhistas famosos é que fazem o personagem. A marca segue fortalecida. Veja bem, eles não ficam famosos depois disso, mas antes, porque são bons fazendo qualquer coisa e não só porque fizeram bons títulos. Tem caminhões de desenhistas que já desenharam grandes títulos e desapareceram porque não eram bons. Eram apenas material de segunda escolha pra encher páginas abrigadas sob um nome que vende qualquer coisa.






Então resumindo, você deve, como estratégia de marketing, investir em ótimos profissionais pra desenhar um personagem de vez em quando, pra que uma bola de neve de interesse do público se inicie. Muitos desenhistas brasileiros que trabalham pro mercado americano podem se recusar a desenhar a capa do seu gibi nacional por acharem que não vale a pena e não acrescenta nada em suas carreiras fabulosas, mas posso garantir que você consegue contratar sim, um desenhista americano conhecido pra fazer a sua capa, porque ele é profissional e vai fazer pelo preço certo e tá cagando se vai ser publicado no Brasil ou no Zaire. Uma revista nacional com capa de americano? Uau, quero comprar! Uma editora de pequeno porte não terá dificuldade de fazer algo assim. Não se faz por preguiça ou por falta de idéias? Não é por falta de desenhista famoso que está na geladeira matando cachorro a grito. Essa estratégia vale pra comics, e cada segmento deve analisar o que é que funciona na sua praia. O Pasquim funcionou pras charges. As livrarias funcionaram pro eurocomics. Quantidade de páginas e preço baixo funcionou pro mangá e pra Disney, e também funcionava no formatinho.



Retorno em mercado ruim demanda um alto investimento, e esse retorno geralmente é baixo, e ninguém quer trabalhar muito e ganhar pouco. Mas pra formar um mercado isso é sim necessário. Tem que investir até ter um marca forte e depois colher os frutos. Planejamento e marketing devem sim ser levados em conta. Tá na hora de amadurecermos nosso pensamento e levar a sério estratégias de investimento a longo prazo. Tendo muito dinheiro na mão é claro que tudo ficaria mais rápido e fácil, mas essa não é a realidade de que dispomos. Temos que usar muita inteligência e os recursos disponíveis, e quem ter as melhores idéias vai vencer, porque o mercado nacional pras editoras e artistas de quadrinhos não é um sonho impossível. Está muito mais perto do que se imagina, e do que já esteve em muitos anos.


Jackson Gebien



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