Robert Ervin Howard (22 de janeiro de 1906 a 11 de junho de 1936) foi

um escritor de gêneros fantasia e aventura histórica. Seus contos eram publicados em revistas pulp.
Nasceu em Peaster, Texas, filho do Dr. Isaac Mordecai Howard e Hester Jane Ervin Howard. Sua família morou em várias cidades o Texas sul, leste e oeste, e também no oeste de Oklahoma, antes de estabelecer-se em Cross Plains, Texas, em 1919.
Começou a escrever com 9 anos (inspirado nas histórias de Harold Lamb e Talbot Mundy, publicadas na revista ""Adventures"") mas só aos 15 anos começou a escrever profissionamente, e somente em 1924 quando cursava a academia Howard Payne em Brownwood teve uma história publicada, o conto Spear and Fang (Lança e Presa) apareceu na edição de julho de 1925 da revista Weird Tales. Muitas de suas histórias vieram a ser publicadas na Weird Tales como ("The Hyena" (A Hiena) e "The Lost Race" (A Raça perdida)) e teve sua primeira capa em 1926.
Sua inspiração se deve aos con
tos de horror que ouvia da sua avó e da sua velha tia Mary Bohanoon, e quando criança sempre sonhava ser um bárbaro combatendo Roma, tornando-se assim um rebelde contra o mundo civilizado.
Escreveu histórias de muitos estilos mas suas criações mais famosas são as do gênero sword and sorcery (espada e feitiçaria) - um gênero de fantasia caracterizado por sua ênfase em combates violentos e intervenções sobrenaturais (deuses, monstros, magos, etc.). Howard criou um dos personagens fantásticos mais populares de todos os tempos; o bárbaro Conan, que fez sua estréia no conto The Phoenix on the Sword em dezembro de 1932. Para hospedar sua criação Howard inventou a Era Hiboriana, que se trata da própria Terra mas num passado pré-cataclísmico do qual a história atual não guarda lembranças. Outros personagens célebres incluem o rei Kull, o aventureiro puritano Salomão Kane, e o picto Bran Mak Morn. Criou também as guerreiras Dark Agnes de la Fere e Red Sonya de Rogatino, esta última a base para a criação da personagem Red Sonja da editora Marvel Comics.
Um outro campo em que Howard foi bem sucedido foi o do horror sobrenatural, no qual emprestou muitas idéias de seu correspondente e amigo H. P. Lovecraft, e sempre adicionando suas próprias marcas registradas de ação rápida e personagens chamativos.
Suas criações orginais como o Culto sem Nome por Von Juntz são consideradas a
gora parte dos Cthulhu Mythos (a cronologia formada pelas histórias de Lovecraft) como "cânones".
Howard escreveu também em outros gêneros:
- Fantasia/Terror passando-se no sul e no sudoeste dos Estados Unidos. Por exemplo o conto Pidgeons from Hell e outras histórias protagonizadas pelo xerife Kirby Buckner.
- Ficção histórica. Como sua histórias Gates of Empire que narra o envolvimento de um personagem fictício nos esforços entre Shirkuh, Shawar, e Amalric para controlar o Egito.
- Histórias de boxeadores. Especialmente os contos do Marinheiro Steve Costigan (às vezes chamado de Marinheiro Dennis Dorgan).
- Westerns. Por exemplo as histórias mais cômicas estreladas por Breckinridge Elkins.
Howard cuidou para que quase todas as suas histórias do gênero sword and sorcery pudessem ocorrer sem contradição num mesmo "universo literário", começando com as aventuras pré-históricas das vidas passadas de James Allison, evoluindo para a saga valusiana de Kull, passando então para os tempos da Atlântida e da Lemúria (de onde vem o personagem Kathulos/Skull Face), para chegar à Era Hiboriana de Conan e então, finalmente, na história conhecida.
Howard projetou seus contos de modo que um grande cataclisma sempre separasse uma era da seguinte. Dessa forma cad
a civilização sabia muito pouco sobre sua antecessora, sendo lembrada apenas por mitos.
Em uma das histórias mais memoráveis de Howard - Kings fo the Night - um crossover entre sagas diferentes é apresentado quando um xamã auxilia o rei picto Bran Mak Morn a conjurar magicamente Kull da Valúsia da Era Pré-Cataclísmica para lhe ajudar na batalha contra os romanos e seus aliados.
A prosa de Howard é direta, rica, e excitante mais do que perspicaz e tenta entreter mais do que instruir, mas não é sem sofisticação. Howard conta sobre mundos onde a violência é geralmente a melhor solução e onde o ouro, as jóias, e as belas mulheres são geralmente a recompensa dos heróis.
Howard correspondia-se com outros autores de pulp fiction tais como H.P. Lovecraft e Clark Ashton Smith.
Em 11 de junho de 1936, aproximadamente às oito da manhã, depois de ficar sabendo que sua mãe provavelmente nunca sairia do estado de coma, Howard se suicidou. Sentou-se no banco da frente de seu carro e atirou na própria cabeça, mas só morreu oito horas depois. Sua mãe morreu no dia seguinte, e compartilharam o funeral. Ambos estão enterrados no cemitério de Greenleaf, em Brownwood.
Na manhã do dia de sua morte Howard escreveu este poema, que foi encontrado datilografado em uma tira de papel na sua carteira:
Tudo fugiu -- tudo está feito, então levem-me à pira -- O banquete acabou, e as lâmpadas expiram.
(estes versos, que pensou-se originalmente ser paródia de um poema de Ernest Dowson" é na verdade parte de um poema pouco conhecido chamado The House Of Caesar de Viola Garvin.)
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O texto acima foi para apresentar Robert E. Howard para os leitores do blog que não o conhecem, ou que pouco sabem sobre o autor e suas criações.
Howard, que por muitos é considerado o pai da literatura fantástica, assim como muitos afirmam que Tolkien teve contato com a literatura de Howard e foi por ela influenciado, para criação da Terra-Média, apoiado na criação da Era Hiboriana de Howard. Esta afirmação se deve ao fato de Tolkien (criador de O senhor dos anéis) ter sido amigo de Lin Carter, grande amigo de Howard e responsável pela continuidade dos contos de Robert, juntamente com Sprague de Camp.
Já ouvir de um amigo também que afirma ter lido que Tolkien proferiu a seguinte frase: "Sem a Era Hiboriana de Howard a Terra-Média não existiria".
Procurei na internet e não achei nada parecido, mas não deixa de ser um fato curioso.
Bom, toda essa apresentação, foi feita com um único proposito, apresentar aos leitores do blog, uma das últimas cartas que Howard escreveu. Quem ler a revista Conan o cimério da Mythos Editora, sabe muito bem que Howard gostava de escrever cartas, essa porém é diferente.
Após ler essa carta, me sensibilizei com o humanismo de Howard, o que me fez também perceber que, no final das contas, o suicídio de Howard teve motivos maiores do que, unicamente, o estado de saúde de sua mãe, que com certeza veio a aprofundar isso. Deixo claro aqui, que é óbvio que não justifica o acontecido, mas explica o "que se passava na cabeça do texano quand
o uma bala a invadiu." [1]
A carta foi traduzida gentilmente pela Psicóloga Marisa Queiroz e segue aqui na íntegra:
"ROBERT E. HOWARD to
FARNSWORTH WRIGHT
dated May 6, 1935
Prezado Sr. Wright,
Eu sempre odiei escrever cartas como esta, mas uma terrível necessidade me força a isto.
Em resumo, é um apelo por dinheiro.
Não é nenhuma novidade para mim, precisar de dinheiro, mas as presentes circunstâncias são diferentes daquelas em que geralmente me encontrei no passado.
Minhas despesas nos últimos meses têm sido enormes. Minha mãe foi forçada a retirar sua bexiga, numa séria cirurgia, especialmente para uma mulher com a sua idade e seu estado de saúde.
Ela esteve quase inválida por anos. Ficou internada num hospital em Temple por um mês, onde, durante esse tempo, fiquei com ela e não tive condições de escrever nada durante este tempo. Mas para um desconto com o profissional nas despesas da cirurgia, meu pai sendo um médico, não sei como conseguimos arcar com tamanhas despesas.
Elas foram muito grandes, considerando as despesas do hospital, enfermeiras especiais, etc, e minhas próprias despesas, embora eu as tenha cortado tanto quanto pude, ficando no quarto mais barato que encontrei e pulando refeições com tanta regularidade que cheguei a perder 15 libras naquele mês. Ficamos em casa por mais de um mês, mas minha mãe ainda está longe de se recuperar.
Um abscesso se desenvolveu na ferida da operação, o que requereu sua internação por muitos dias num hospital em Colemam, e é ainda necessário levá-la lá, numa distância de umas trinta milhas, a cada poucos dias para que sua ferida sar
e e limpe, e meu pai não tem como facilitar isto. Enquanto isto, as despesas vão indo, naturalmente, para nós que fomos forçados a contratar uma mulher para cozinhar e fazer os serviços de casa que estou impossibilitado. Se minha mãe vai se recuperar ou não, possivelmente vai depender do tipo de cuidados e atenção que eu possa lhe dar, e do mesmo modo, do dinheiro que eu possa ganhar.
Isto me traz um problema nas mãos. Por algum tempo eu recebi um cheque com regularidade a cada mês de Weird Tales – meio cheque, é verdade, mas praticando uma rígida economia eu consegui me administrar e não me afogar; mas isso eu só consegui fazer, não pelo valor do cheque, mas pela sua regularidade. Eu vim a depender deles e a esperar por eles, como eu expliquei. Porém, este mês, justamente num momento que eu preciso tão desesperadamente de dinheiro, eu não recebi o cheque. De algum modo, de alguma maneira, minha família e eu temos lutado por isso, mas se vocês cortarem meu cheque mensal agora, eu não sei, em nome de Deus, o que fazer.
O custo de vida aumentou; esta parte do país tem sofrido amargamente com secas e tempestades. Meu pai é um ancião e a maioria de seus pacientes são miseráveis carentes e necessitados que raramente têm alguma coisa, além de produtos de fazenda para pagá-lo. Este ano talvez, nem isso tenhamos. Miséria não é novidade para mim. Tenho uma crosta atormentada toda minha vida. Mas as privações que sofri no passado são apenas cafés peq
uenos ao que me acontecerá, se houver a descontinuidade de meus cheques mensais da Weird Tales.
Eu não acho que minha solicitação seja insensata. Como você sabe, faz seis meses desde que O Povo do Círculo Negro (a história pela qual o cheque agora me faz falta) apareceu em Weird Tales. Weird Tales deve-me mais que oitocentos dólares por histórias já publicadas e que deveriam ser pagas por publicação – suficiente para pagar todas minhas dívidas e me pôr em equilíbrio novamente, se eu puder recebê-lo de uma vez só. Talvez isto seja impossível. Eu não quero ser insensato. Eu sei que os tempos estão difíceis para todos. Mas eu não acho que esteja sendo insensato em lhe pedir para enviar-me meu cheque mensalmente até a conta seja acertada. Honestamente, neste ritmo que estamos indo, eu serei um velho antes de receber meu pagamento! E minha necessidade pelo dinheiro agora é urgente.
Claro, eu vendo para outras revistas de tempos em tempos, mas essas vendas são incertas. Comercializar regularmente requisita muito tempo e esforço, e por anos, a maior parte de meu tempo e esforço tem sido devotado a histórias que escrevi para a Weird Tales. Eu cresci nas revistas, pra dizer a verdade, e isto tem sido na maior parte de minha vida meus pés e minhas mãos. Mas para um homem pobre, o dinheiro que ele faz é o sangue de sua vida, e depois, quando escrevo sobre as aventuras de Conan, tenho que lutar contra uma reflexão desanimadora que, se a história é aceita, isto levou anos antes de eu ser pago por ela.
Este é o estado de meu caso, falando na única maneira que sei, que é ser franco. Eu confio que minha franqueza não tenha gerado ofensas. Necessidade me leva a isto. Um cheque mensal da Weird Tales, pode muito bem significar para mim a diferença entre uma vida que seja ao menos suportável – e só Deus sabe como.
Cordialmente,
Robert E. Howard"
[ Fonte da carta: http://en.wikisource.org/wiki/May_6,_1935,_to_Farnsworth_Wright ]
Espero que todos tenham apreciado conhecer um pouco mais sobre um dos maiores escritores que o mundo já teve.
De brinde, cliquem aqui, para ler um trecho de um conto, publicado no livro Conan o cimério volume I da Editora Conrad. Essa coleção é composta de dois volumes.

[1] ► Palavras do amigo Ricardo Tavares Medeiros