Shyamalan (sim, um dos meus diretores favoritos) faria um filme sobre Avatar (aquele do garotinho careca com uma seta azul na cabeça), mas que não se chamaria "Avatar" porque... James Cameron (Terminator I e II, Titanic) estava realizando um outro filme, uma ficção científica, que já tinha registrado o nome.Por que contei essa história toda? Porque foi assim que esse filme surgiu no meu "campo visual" e, não fosse isso, passaria batido.
Como não passou, como gerou um burburinho pela net, como as pessoas nas ruas estão comentando, como milhões de pessoas (bwahahahaha) vêem comentar comigo sobre o filme, bem, acabei indo ver. Principalmente porque tinha ainda outra história por detrás: a trama de "Avatar" teria surgido na cabeça do Cameron há 15 anos, mas só agora, em 2009, os efeitos visuais estavam avançados o suficiente para realizar o filme.
Bem, deixando de "entretantos" e chegando logo aos "finalmentes", ou seja, ao filme em si: a história de "Avatar" (que Cameron idealizou há 15 anos, 15 anos, frizem bem) conta o seguinte: o planeta Terra está ferrado. Mas os humanos têm tecnologia o suficiente para
E aí, nessa disputa de interesses, surge Jake Sully (Sam Worthington), um ex-mariner que perdeu o movimento das
Isso é a premissa do filme. Uma versão estendida das sinopses dos jornais. Mas há algo que qualquer um apreende vendo o trailer: há uma na'vi guerreira, Neytiri (Zoë Saldaña), por quem Jake vai se apaixonar. Sim, o colonizador, convocado para dizimar os nativos, vai se apaixonar por uma nativa, e pôr a perder toda a sua missão. Sentiu um gosto de "onde já vi isso?". Hum... Deixe-me ver se posso te ajudar:
Sim, senhoras e senhores! O genial James Cameron levou 15 anos para fazer uma versão interplanetária de Pocahontas! E é uma versão tão desavergonhada, que segue até nos pequenos detalhes: Pocahontas e Neytiri são filhas dos respectivos chefes de tribo, são prometidas aos respectivos guerreiros mais valorosos de cada grupo (Kocoum e Tsu'Tey, respectivamente)... E antes que algum apressadinho tente debilmente defender o "trabalho" de Cameron dizendo que ele idealizou a história em 1994 enquanto Pocahontas é de 1995, deixo um recado: "Pocahontas" é baseado numa história real, de uma índia de verdade que, durante a colonização americana se apaixonou por um John Smith (ou Jake Sully?) de verdade.Ou seja: durante 15 anos James Cameron idealizou um plágio, caceta! As tramas são tão parecidas que eu esperava que Neytiri entoasse, a qualquer momento, "As cores do vento". Sério. Até a árvore dos ancestrais, presente na versão da Disney da história, Cameron acrescentou!

Ok, mas ignoremos isso. Afinal de contas, não é isso que a gente diz? "Vamos ignorar que a linha geral (e alguns detalhes) são iguais e vamos nos concentrar nos detalhes que fazem a diferença"? Beleuza. O problema é que aqui também James Cameron mostra que passou 15 anos tirando meleca do nariz, porque não pode ter sido pensando nessa maldita história. Tirando o que
chupetou de Pocahontas, o que "Avatar" tem para mostrar é um emaranhado de clichês bobos e mais do que batidos. Temos o vilão supermalvado e inescrupuloso, na pessoa do coronel Miles Quaritch, temos o salvador prometido, temos os rituais (pró-final feliz)... Tudo está lá, é óbvio quando você vê. Quando citam o Toruk makto você já sabe onde aquilo vai dar, quando citam um importante ritual de mudança, você também sabe quando e onde vai parar. É tudo tão óbvio, clichêzento e previsível que até Michelle Rodriguez foi chamada para fazer o mesmo papel que sempre faz: o de mulher durona, do exército, que peita tudo e é rasa como um pires. Tudo como dantes no quartel de abrantes...Mas aí pode ser que você apregoe em defesa do filme o fato de que ele tem efeitos visuais esplêndidos, exuberantes e que essa é a marca do filme. Então, faço duas ressalvas. Uma geral e outra específica acerca deste argumento que, pelo que andei lendo, tem sido o mais utilizado. Primeiro, a ressalva geral: o cinema, assim como o teatro e as histórias em quadrinhos também, é a arte de se contar histórias. Simples assim. Pode ser difícil para os mais jovens compreenderem isso, mas os efeitos visuais só têm sentido se auxiliares nessa função de
Pra fechar, queria citar algumas farofices que James Cameron colocou na "trama", como o Coronel "Michael Felps" Quaritch (aja fôlego pra prender a respiração como esse homem prende!), o exoesqueleto armado de faca (fala sério! É uma armadura mecânica de uns Em resumo, se você ficou com preguiça de ver o review todo, deixo uma pequena equação matemática que explica o que "Avatar" é: some "Pocahontas" (p) a "Matrix" (m), subtraia a originalidade e coesão de roteiro (r) e multiplique por "Transformers" (t). Senhoras e senhores, "Avatar", de James Cameron:
Av= [(p+m)-r](t)
Ou, se você não for bom em matemática, resumo numa nota:


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